Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Hope and faith




Há palavras que não queremos ouvir nunca, lugares onde não queremos ir nunca, dores que não queremos para os nossos, nunca. Quando esses nuncas nos caem em cima vem o desespero, o medo, a dor da impotência. Depois vem a vontade de lutar, de vencer, de ser mais forte que tudo. Esses são os momentos de revelação que em percebemos o quão insignificantes somos e em que voltamos ao que sempre negámos.
Eis-me de volta à esperança nas coisas do céu. Eis-me crente nas coisas do céu e nas da terra ao mesmo tempo. Eis-me crente na capacidade do homem lutar e na capacidade do céu dar a esperança e o zelo.

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Pedaços de natureza



Pedaços de natureza que invocam a maior das belezas.
Pedaços de séculos, de chuvas, de ventos e de tempestades que criaram verdadeiras telas.
Pedaços de silêncio diante de uma imagem de tão perfeita imperfeição.
Pedaços de impotência diante da imponência que se impõe sobre quem olha.

CJ, Grand Canyon, Novembro de 2011

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Sometimes life is a mess



Há dias que parecem não ter fim, momentos em que a tristeza rouba todos os sorrisos, prende todos os pensamentos. Resta apenas a esperança, a esperança que passe, passe rápido. É querer que passem, mas ter receio que passem. O medo enche o peito, sufoca. É rever os pensamentos, as ideologias e deitá-las para o caixote do lixo. Vêm aí o cliché, mas é nestas alturas que nos voltamos para onde virámos as costas, é tão verdade.
Today i feel as scared as the little house there.

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Há vazios assim

Há vazios assim em que nada entra e nada sai. Vazios sem chão. Vazios sem céu. Não nada de nada nesse vazio. Há essências do que já foi e já não é. Há indicios de outras vidas, em outros tempos, vividas em outros cenários. Foi-se o ar. Foi-se o olhar.
O vazio perdeu-se dentro dele mesmo. Desencontrou-se da porta e da janela. Sufocou dentro de si mesmo. O espaço fechou-se sobre si mesmo. E sobraram apenas os nadas.
Para trás ficaram caixotes de molduras vazias. Onde antes havia os sorridentes, agora caixilhos partidos cheios de tristezas. Já se foi tudo e ficou o silêncio. Não há sussurros, não há passadas apressadas a caminho de sítios, não há risos abafados. Há aranhiços que percorrem as tábuas corridas sem encontrar obstáculos, há lençois brancos a tapar os restos do que ninguém quis.
Há gritos surdos que querem rebentar as frestas, há sombras de quem já esteve mas já não está. Há tralhas soltas pelo meio de bolas de cotão de vidas que já se viveram aqui.
Já foi, não é. Não sei. Não se encontra. Não encontra a porta e a janela debaixo da escuridão em torno do vazio. Não há uma luz, ténue sequer.

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011




Partir. Ir sem destino. Chegar a algum lugar. Ver a espuma dos dias a desaparecer lentamente. Os pensamentos vão e vêm ao sabor dos sonhos, dos desejos. Ficar por ali. Andar mais um pouco até não sei onde e fazer esse mesmo não sei o quê. Não pensar mais para trás, nem mais para a frente. Molengar no conforto deste aqui e agora com uma manta pelos ombros debaixo de um céu pejado de estrelas. Neste lugar não há limites, não há sitios nem coisas certas ou erradas. Onde se está e o que se quer é a verdade absoluta, inquestionável. Olhar em redor e ver essa longa planície de silêncio. Quebrar esse silêncio que não é de mais ninguém com todos os gritos que estão guardados. Gritar até se ficar sem uma nesga de inquietude no espírito. Até a alma ficar leve, leve. Fechar os olhos, fazer das pestana obturador. Gravar a leveza, a imagem, o sentir. Caminhar. Vir. Ziguezaguear. Apanhar o autocarro que deixa mesmo à porta. Entrar. Crer.

Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Amores e apegos

Disse ela:
"É preciso saber distinguir o amor do apego. Isso ajuda-nos muito na vida. O amor com desapego é o amor verdadeiro. É um crescimento pessoal porque muitas vezes esperamos que o outro nos dê aquilo que nos falta e não há ninguém que nos possa dar aquilo que temos de encontrar dentro de nós. Quanto menos precisar de ti, mais te amarei e menos te pedirei"

Sexta-feira, 1 de Julho de 2011

Sábado, 11 de Junho de 2011

Os entupimentos

O sono não chega. É impossível fechar os olhos. Tenho medo que desapareça. Não, não vou deixar desaparecer nunca mais! Não é uma resolução, também não é uma teimosia e menos ainda uma aposta. É uma certeza porque as certezas vêm do coração e são inabaláveis. É a mais pura e profunda felicidade isto que me enche o peito e Ne está a dar insónias! Quero-a para sempre! Só assim ela faz sentido, quando preenche tanto que transborda. Até podem vir as pequenas trovoadas, podem vir neblinas, mas nunca mais virá nada de mau. Há momentos na vida que se guardam para sempre. Este ficará para sempre. Ficará como carro de combate a qualquer tempestade.
Sinto que por vezes temos de bater no fundo, para fazer toda uma caminhada. Quero fazê-lá. Vou fazê-lá e sei, com todo o meu coração que estas insónias irão acontecer muitas vezes e que serão cada vez melhores, maiores, mais entupidas. Anda, vamos ate esse sítio que é só nosso, muitas e muitas vezes! Aí que entupimento este que sabe a um petit gateau, ao enroscar, a uma toalha quente depois do banho, a um coração que não pára de bater, a mantas e almofadas, a um beijo ( ao primeiro!), a uma garrafa de vinho da tua garrafeira, sabe a todas as coisas boas, a todas as coisas que me enchem a alma. Anda, vamos continuar a escalada. O topo é lá em cima, não temos pressa, vamos parando para dar uns goles nesse teu, nosso, vinho, para uma troca de cumplicidades, para nos conhecermos mais um bocadinho. Lá em cima está tudo o que queremos e sonhamos. Que graça teria se fosse um helicóptero a deixar-nos lá no cimo dos cimos? Será bom subir assim, de mão dada, eu ajudo-te, tu ajudas-me, eu ensino-te o melhor caminho, tu ensinas-me a outra parte do melhor caminho. Iremos dar umas escorregadelas, somos meio trapalhões às vezes, mas vou amparar-te sempre, também sei que me vais amparar sempre. Queres saber o segredo que está lá em cima, o mais bem guardado deles todos? Anda, aproxima-te, abraça-me, digo- to ao ouvido.
Maravilhosa insónia, esta. Vem sempre e muitas vezes.

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

A beleza das palavras

Cita-se ante uma obra de páginas imensas a doçura das palavras Virgina Woolf

"Vivi em ti durante todo este tempo - agora, que eu parto, com quem te pareces tu, verdadeiramente? Será que existes, ou inventei-te dos pés à cabeça?".

Seguem-se mil páginas da história da Marquesa de Alorna, Leonor

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Estúpidos se's

Aquilo que mais apoquenta são os se's, aquilo que fica por saber, por sentir, por dizer. E se não se tivesse dito ou feito. E se não se tivesse passado assim. Se...se se soubesse viver sem estes se's tudo seria mais descomplicado. Não gosto desses se's. Não quero esses se's.

Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Cacos



Caiu ao chão, ficou em estilhaços, desfeito. Cada pedaço em seu canto. Ali foram ficando até que alguém os juntou, os colou, voltou a fazer deles um só. Mas não. Não voltou a ser a mesma jarra.

Segunda-feira, 21 de Março de 2011

*

A imagem ou o reflexo. A verdade ou a vontade. A realidade ou o desejo. O que se pensa ou o que se acredita. O que se quer ou o que se sonha.
Mas o que seria das imagens sem os seus reflexos? Existiriam as verdades sem muitas vontades? Que sentido teria a realidade sem os desejos? Pensar-se-ia em seja o que for se não se acreditasse? Quero e sonho! Só assim tudo tem sentido.


*Magritte, Heraclito

Terça-feira, 1 de Março de 2011

Renasceres



Gosto deles.
De esperanças devolvidas.
De sentidos reencontrados.

Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Balanços



Nas curvas da vida, encontramo-nos sempre. Encontramo-nos nas encruzilhadas. Escorregamos nos mesmos penhascos. Tu salvas-me e eu salvo-te. Agarras-me com aquela força de quem jamais deixaria que alguma coisa me acontecesse. Seguro-te como o meu bem mais precioso. Tu és eu e eu sou tu e quando somos um só deixamo-nos levar pelos balanços. Às vezes, o balanço é mesmo um balançar, e a força não chega, as mãos soltam-se e perdemo-nos. Eu volto a ser apenas eu, tu voltas a ser apenas tu. Os pensamentos ficam desligados, sem sentido. Os ventos não acalmam, os mares batem furiosos, as nuvens estão carregadas de ira... uma ténue chama de uma vela acesa lá longe ilumina os passos incertos e encontramo-nos nas sombras assustadas um do outro. Em pequenos passos, cautelosos e incertos, os nossos dedos enlaçam-se, as nossas mãos, atacadas por uma profunda solidão um do outro, são incapazes de fingir friezas, amuos. É mais sofrido, mais forte, mais meigo, mais sentido, mais intenso. As entranhas mais profundas tocam-se suavemente, envolvem-se, fundem-se. A luta contra as incertezas, dúvidas, medos e mágoas intensifica-se. Mas agora somos dois e sinto-me invencível contigo a meu lado. As nuvens negras vão-se dissipando, o mar é tranquilo como o de uma lagoa, as ventanias são apenas leves brisas. Um e um só.

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Palavras

As palavras são difíceis, duras, enganadoras, perversas, más. Saem um tom acima ou um tom abaixo e todo o seu significado muda. Saem no contexto certo ou no contexto errado e causam as melhores ou as piores reacções. As palavras. Quem as controla, controla o Mundo.

Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Secret places



Lugares onde se encontra a paz, lugares onde se dixam sorrisos pendurados, lugares onde podem passar milhares de pessoas mas que são só nossos, lugares de encontro, lugares onde a vida pára por uns segundos. É nesses recantos onde tudo faz mais sentido.

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Claro, claro como a água de um rio



É nestes momentos em que me apercebo das minhas fragilidades que percebo os limites daquilo que sou, as linhas que projecto, os lugares de onde venho e aqueles para onde quero ir. Sim, quero estar aqui, quero ter-te ao meu lado e juntos conquistaremos o mundo, a plenitude que atingem duas almas que se completam, se consolam, se encontram.São estes os momentos que se guardam da vida, são estes os momentos em que se pode ter apenas uma frase a cair pelos lábios quietos: se morresse agora, morreria feliz.

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Descoberta de centro comercial



Fui comprar comida para a minha fera de dois quilos e meio e vinte centímetros à loja dos animais num centro comercial. É uma daquelas lojas onde há caezinhos fofinhos do lado de lá do vidro e que tem sempre um rol de espectadores a bater no vidro apesar do pedido explícito e óbvio para que não o façam. Ia a entrar para a loja e o meu olhar prendeu-se em mais um ser fofinho para levar para casa neste Natal. Este ser eranada mais, nada menos que um leitãozinho gorducho a que chamam pomposa e presunçosamente "minipig". Ora, a minha dúvida é: quem é que quer ter um porquinho esparramado em cima do sofá da sala? Isto é animal para durar a vida toda e para criar afeições e ter gestos carinhosos e fazer festinhas na barriga enquanto ele fica a grunhir de felicidade? Uhm.. eu cá para mim esta não é moda para durar!

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

A tv de todos os benfiquistas



Ontem vi o Benfica-Braga. Ou melhor dizendo, ontem não vi o Benfica-Braga. Ora, estava eu num jantar e os benfiquistas ansiavam pelo resultado do seu benfica. Dando o jogo no canal dos ricos, dos fanáticos ou do lobby dos cafés a solução MEO é este fantástico canal da nossa televisão: o Benfica TV.
Foram quase noventa minutos em que um senhor cheio de frio e outro sem casaco descreveram cada passe, cada falta, cada lesão, golo e em que se viu apenas um senhor cheio de frio e outro sem casaco. Uma coisa é ouvir o relato, outra (ridícula) é ver o relato de dois marmanjos numa bancada a morrer de frio e a olhar para o jogo que só eles vêem e não para a câmara. Não fosse já toda a cena freak, no canto inferior esquerdo não falta um grafíco onde mostram uns supostos bonequinhos, já que não podem os jogadores, a jogar em tempo real ao estilo Footbal Manager. Não fossem as duas equipas trajar de vermelho ser ia muito útil. As vinte e duas bolinhas andavam de um lado para o outro e era tudo menos esclarecedor.
Foi um belo momento, sobretudo porque por contingências outras não havia som na tv.
Fiquei fã. Da próxima quero voltar a ver um relato sem som acompanhado por um FM de uma equipa só.

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Com esse brilhozinho

"Com um brilhozinho nos olhos
e a saia rodada
escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.

Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocamos retratos
trocamos projectos os dois
trocamos de roupa, trocamos de corpo,
trocamos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocamos guitarra
p'lo menos a julgar pelo som

E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco

Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, não dá p'ra contar
mas sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te contei

Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
o que nos passou pela tola [o que nos passou pelo goto]
do estilo és o "number one"
dou-te vinte valores
és um treze no totobola [és o seis do meu totoloto]
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"

E que é que foi que ele disse?
...

E com um brilhozinho nos olhos
tentamos saber
para lá do que muito se amou
quem éramos nós
quem queríamos ser
e quais as esperanças
que a vida roubou
e olhei-o de longe
e mirei-o de perto
que quem não vê caras
não vê corações
com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.

E que é que foi que ele disse?"

Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Os brindes certos

Uma revista de social tem como capa desta semana um actor, famoso aos olhos do povo, que está a fazer um tratamento, cura ou o que se queira chamar, para se livrar do vício do álcool. Anunciam que contam como é a clínica, como é o tratamento e quanto custa. Para além disso fazem promo ao brinde desta semana: um copo de vinho tinto para a colecção de copos! Brilhante!

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Feliz natal!

Interrompe-se este - forçado - silêncio para desejar um bom Natal. Parece que este ano se começam as celebrações em Outubro?!?! As luzes já começam a aparecer na cidade, só falta carregar o botão, as lojas já têm iluminações acesas, já se vendem árvores e bolas de natal e as sugestões - "de última hora" ?!?!? - já andam por aí.
Desespero da crise ou vontade de falar de outra coisa que não o Orçamento de Estado, o Natal chegou com dois meses de antecedência. Feliz Natal

Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

E a ovelha?



De há uns dias para cá que ando intrigada. Com esta história do Jaime. O Jaime Ovelha. Ora o homem apareceu no chão já a dar para o morto, vestido com uma lingerie tão feminina como as sandálias que trazia calçadas. Em Proença-a-velha todos os conheciam e o achavam esquisito. Enfim, ocorrem-me várias dúvidas nesta história e nenhuma tem a ver com o assassíno.
Premissa: o homem roubava galinhas para as violar, já tinha sido apanhado a violar uma cabra e desta última vez foi o desgraçado do burro (que toda a gente fotografa sem dó pelo seu sofrimento) e já tinha sido preso por também ter violado uma senhora idosa. Na zona dizem os jornais: "Era conhecido por violar animais" (??????)
Eis as minhas dúvidas:
- Como é que se viola uma galinha?
- Como é que alguém investiga um crime onde as vítimas se limitam a pronunciar-se debaixo de uns tímidos i-on's e có-có-ró-co-co's?
- Porque raio ele era conhecido como "O Jaime Ovelha"?

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

For u!

Olho-te e vejo-me. Vejo o que sou, vejo o que sinto, vejo o que quero. Pego no fio dos pensamentos e vou seguindo de nó em nó em jeito de salvação da alma. Revejo-os um a um como se tivessem sido agora, neste mesmo instante, ganho o fôlego que só estas coisas conseguem dar. Cada olhar, cada partilha, cada riso, cada carinho, cada toque, cada gesto. Num turbilhão vêm umas atrás das outras. Deixo-me levar por uma sensação que causa arrepios pela espinha acima. A alma despe-se, fica a nú e cada gesto é a mais plena revelação de um sentimento profundo, incomparável com qualquer outro. É isso, é uma coisa grande. Tão grande que não se mede, não se pesa, não se parte. É bom. É cada vez maior. É cada vez maior, mais doce. É uma cumplicidade sem fim.

B.

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

Um olhar sobre Viana

As tradições, a festa, o orgulho de se manter a ligação à terra.



















































































Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Combates urbanos

Alcântara. 3 da tarde. Dois arrumadores.

Um arrumador pintas de calçanito da moda e camisola de manga cava está a bater couro a umas miúdas do norte que perguntaram o caminho para a torre de Belém. Desconfio que o personagem, de cabelo com uma ligeira crista e aquele rabicho no pescoço, estava com uma grande grande pedrada. A falar alto e com uns gestos exagerados - já com elas a quererem afastar-se e certamente arrependidas de ter perguntado qualquer coisa - continuou a dar-lhes dicas: de autocarro, de comboio e até de barco (?).

As miúdas afastam-se e ele faz um comentário másculo para um segurança que está à porta de um supermercado que está mesmo ali sobre as miúdas. No meio disto vaga um lugar ali mesmo em frente e um homem de aspecto de pessoa lá de fora faz as vezes de arrumador assim que há um candidato ao lugar.

Ora, o tuga do calçanito vai lá. "Mas ouve lá, tu põe-te a andar que este sitio é meu". Silêncio do outro lado. "Tu és de onde?" .Silêncio. "Da Lituânia?" . O outro larga um país indecifrável. "Então volta para a tua terra. Este sítio é meu e se te volto a ver aqui parto-te todo". O outro senta-se num banco de pedra. "Sai daqui! já disse! ou queres ver eu partir-te todo. Uma esquerda, uma direita e ficas todo partido!Vai, rápido". Quero ficar aqui no banco sentado. "Só não te parto todo já porque aquele senhor ali [o segurança] me disse para ter calma" - mentira descarada, claro! que o outro nem abriu a boca. "Vá, põe-te a andar lá para a tua terra que este sitio tem dono"

e vim embora.

Terça-feira, 27 de Julho de 2010

How...

..big can be happiness?

Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Há momentos assim

Há momentos que jamais se esquecem.
Há momentos que são tão perfeitos que não chegam as palavras.
Há momentos que provam que o mais importante na vida acontece assim, sem se esperar.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Coisas simples



A verdadeira beleza está na simplicidade, nas pequenas coisas, nas essenciais.
Um pormenor. Um fim-de-semana. um momento. A verdadeira beleza.

Por baixo

*

Gostava de morar num sítio com estrelas. Um daqueles lugares onde dá para ficar deitado no chão simplesmente a contemplá-las, a apreciar a verdadeira beleza que há naqueles pontinhos luminosos espalhados por aquela imensidão de céu, longe das luzes, longe do barulhos, das gentes. Naqueles lugares onde se sente que o mundo é só nosso. Gostava mesmo de poder chegar a casa num final de dia e ficar ali por baixo das estrelas...


*Not mine

Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Inesquecível

No meio de um imenso festival de Verão, daqueles hiperpovoados por metro quadrado onde é impossível sair de lá sem uma cotovelada ou pisadela ou banho de uma bebida de tons suspeitos, um momento inesquecivelmente bonito. Um homem, sozinho em cima do palco, debaixo de uma meia luz de frente para milhares de pessoas que fizeram um silêncio arrepiado sob um momento de hipnotismo. Foi demasiado bonito, único.



See for youself
http://www.youtube.com/watch?v=xrpvox63CP8


Snow Patrol - Run

"I'll sing it one last time for you
Then we really have to go
You've been the only thing that's right
In all I've done

And I can barely look at you
But every single time I do
I know we'll make it anywhere
Away from here

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear

Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say

To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear

Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say

Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads

Have heart my dear
We're bound to be afraid
Even if it's just for a few days
Making up for all this mess

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear"

Um dia

um dia, sem que ninguém esteja à espera, acontece. Acontece porque há muito que está para acontecer. Sempre faltou aquele empurrão. Já não falta. Agora é acreditar. Acreditar que os impossíveis são apenas obstáculos que se ultrapassam. E que no final, olhando para o caminho lá de cima de onde se vêem as curvas sinuosas, eram apenas teimoziazinhas sem razão de ser. Daqui a uns meses, um ano, talvez menos, talvez mais. Acontece. Sei que sim. E acontece porque é assim que tem de ser. São designios que não se sabe de onde vêm, mas é cá bem do fundo. Prometo.

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Interioridades



É aqui, aqui onde o som da mota se junta com o tilintar das ovelhas debaixo do ladrar do cão. É aqui onde as simplicidades da vida e a dureza do trabalho tornam as pessoas diferentes - não melhores, não piores. É aqui que o olhar se alonga pelos montes, pelas coisas mais básicas que o ser humano necessita, pela interioridade mais profunda. E depois vêm à mente aquilo que realmente importa, as coisas na vida que devem ter prioridade. O cenário é apenas uma desculpa. O resto uma realidade que acontece apenas algumas vezes mais raras quando a existência conturbada deixa que isso aconteça.

Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Gosto

Gosto do cheiro a bolo quente de manhã
Gosto de um jantar á luz de um final de tarde
Gosto de acordar com o sol a inundar o quarto
Gosto da toalha quente depois do banho
Gosto do cheiro da relva acabada de cortar
Gosto da meia luz
Gosto de jantaradas de amigos
Gosto de conversas longas
Gosto de confidências e de segredos
Gosto de um chocolate quente a sério
Gosto de almofadas
Gosto de vaguear durante horas
Gosto de trapos
Gosto de silêncios confortáveis
Gosto de pequenos-almoços
Gosto de descobrir
Gosto de um belo copo de vinho
Gosto de filmes
Gosto de manhãs preguiçosas
Gosto de sair só com a máquina
Gosto de candeeiros
Gosto de ruelas estreitas e recantos
Gosto de lugares ermos
Gosto de pensar enquanto conduzo
Gosto do alentejo profundo
Gosto de lugares secretos
Gosto de verdades
Gosto de estar rodeada das pessoas que amo
Gosto da felicidade do meu Cookie a cada vez que chego
Gosto de escapadelas
Gosto de sentir o sol bater-me na cara
Gosto de gelados
Gosto de pessoas sinceras
Gosto de ficar apenas a olhar
Gosto de um lugar ali na Graça
Gosto de experimentar repastos
Gosto de fazer surpresas
Gosto da lua em tons de amarelo e leranja
Gosto de dar gargalhadas até doer a barriga
Gosto de cadernos
Gosto de albuns de fotografia
Gosto de festas populares
Gosto do som do piano do Einaudi
Gosto de sentidos de humor apurados
Gosto de inesperados
Gosto de recordações, de momentos
Gosto de abraços apertados
Gosto de personalidades fortes
Gosto de coisas toscas
Gosto de revistas
Gosto de bolo de chocolate
Gosto de hábitos e tradições de lugares
Gosto de rios que correm tranquilos
Gosto de subir ao cimo das serras
Gosto de aldeias perdidas
Gosto de sumos de fruta a sério
Gosto de comida de plástico
Gosto de cremes
Gosto de jardins
Gosto de praias desertas
Gosto de pessoas.

Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

De ouvido




"Uma mulher - ...esteve a vida toda lá em Espanha e agora vem para cá para ser enterrado

Outra mulher - Ah, mas ele não vai ser enterrado. Vai ser cremado

A mesma Uma mulher - Ainda pior, fica cá o lixo!"


Isto é o nosso Portugal

Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

O golpe de Sol

Alentejo. Nove e pouco da manhã. Domingo.
Num café, numa terra perdida a caminho de Beja, uma cena que podia já não acontecer.
Um homem, o dono do café, está a abrir o café. Nós entramos e o senhor serve-nos os cafés. Pede-nos uns momentos. Tem de ir fazer o Golpe de Sol. Perante a ignorância, nossa, ficamos calados. Ele vai sentar-se numa outra mesa. Coloca uma toalha nos ombros, senta-se compenetrado. Entra uma senhora, já velha. Vem com um copo de água na mão. Colocã-lhe o copo na mão e começa com ladaínhas. Disfarçamos o riso. Fica abafado. Aquilo dura um pedaço. Quem está de frente tem vista privilegiada para esta cena surreal, num café perdido no Alentejo profundo. Quem está de lado apenas tem um vislumbre. Aquilo acaba.
Ele regressa ao balcão. E fala, fala do Golpe de Sol. E ela também. Há nove dias que lho faz. Ele garante que as dores de cabeça de andar ao sol cessaram nesse dia. Ela confirma que resulta. É por isso que a água ferve no copo. Quem estava de frente garante que viu as bolhas iguais às da água que ferve. Ali no meio do alentejo, num início de manhã, uma curandice para mostrar que ali, os tempos ainda são os dos saberes da terra, dos milagres das velhas sabedorias.

Sexta-feira, 11 de Junho de 2010