terça-feira, 24 de julho de 2007
Uma Voz na Pedra
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra."
António Ramos Rosa
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Despertares ....
Um dia Sophia escreveu:
"Ás vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
que eu podia ter sido,
se a vida tivesse sido outra
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem terror e mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água"
Mais:
Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio de um sonhar obscuro
Onde invento o real
À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar..."
Um dia Dali pintou:
Eis o que sinto.....
Desperto e assusto-me com uma realidade que não conhecia em sonhos;
Desperto e não me acho no que sinto, no que penso e no que projecto;
Desperto e temo não ter forças para fazer com que a alma acompanhe o corpo;
Desperto e tenho medo de jamais voltar a ser o que já fui;
Desperto e tenho medo do que sou;
Desperto e balanço entre a nostalgia de sonos passados e o receio dos sonhos futuros;
domingo, 22 de julho de 2007
"A" Lisboa
Uma Lisboa que é só minha.
A Lisboa que eu amo.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Corte e recorte
sexta-feira, 13 de julho de 2007
.......???????............. (zzzzzt fez o meu cérebro)
Pelo caminho, a fome fez-me parar naquele que provavelmente é o lugar mais perto do surreal que consigo imaginar (muito provavelmente e com tda a certeza pelo estado em que o meu cérebro está depois de 24 horas nonstop). Chama-se Bistro Oasis Club (nome com um toque british, ie, estrangeiro), fica ali logo à saída de Vilamoura, tem umas tostas maravilhosas (no caso, e deve ser mm sono, adorei uma tosta de galinha com alho e queijo extra!!) que misturei com um leite com chocolate (Ucal, que era o que havia) numa maravilhosa (...mente manhosa!) combinação de sabores. Á volta paira o surreal. Umas espanholas acompanhadas por um português tentam pedir uma tortilha a uma empregada de mesa oriunda de um país de leste que não sabe o que é uma tortilha e que tenta explicar (não sei em que língua...) que não tem tostas de manteiga (oinc!!!). Nunhum deles se entende e lá vem qualquer coisa que elas acham que pediram e que a senhora acha que entendeu.
Enquanto mastigo a minha tosta olho à volta. Á minha frente está uma televisão e um plasma os dois a darem a mesma coisa e virados para o mesmo sítio em que eu estou. No canal, o Fashion TV, que está ligado passa a colecção de inverno de um qualquer inverno passado apesar de estar a nascer um belo dia de Verão fora das janelas. Por baixo, há um anúncio aos "Bilhares Chorão" colocado numa máquina de jogos. Antes de vir embora tenho oportunidade de assistir a dois meninos, sentados atrás de mim, a comerem uma francesinha (o prato típico, não uma menina oriunda daquele país acima de Espanha e abaixo da Holanda) e a partilharem uma travessa de batatas fritas (apesar de ainda não serem sequer oito da manhã).
Pelo caminho de volta para este belo lugar em que me encontro, passo por lugares como a Patã ou a Mari-não-sei-das quantas enquanto senhoras honradas e senhores trabalhadores se preparam para um belo dia de trabalho e eu para um belo dia a dormir desgraçadamente. Mesmo a chegar ao aparthotel ouço o toque do despertador do meu telemóvel que toca à mesma hora que eu o programei para tocar ontem quando acordei (há milhares de anos atrás, diriam as minhas costas, os meus pés, os meus rins, as minhas olheiras e tds os afins.... que não sinto sequer)
São 8,17 da manhã e vou cair na cama. Espero que o armário de onde sai a cama não se feche comigo lá dentro.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Os senhores (e senhora) que querem a cadeira estão a (de)bater-se

Hoje é o dia !
Todos os dias são "O" dia ideal.
O dia para ir a um lugar onde sempre se quis ir
O dia para ver aquele filme
O dia para reencontrar aquele amigo
O dia para se conhecer aquele desconhecido
O dia para jantar com a familia
O dia para se ir aquele restaurante
O dia para fazer uma supresa a alguém muito querido
O dia para se fazer a loucura que está há anos para ser feita
O dia para dizer disparates
O dia para rir, rir, rir sem parar
O dia para se mimar e se ser mimado
O dia para comprar aquele vestido que provavelmente nunca se vai usar
O dia para passar horas a fio a conversar com alguém
O dia para se sorrir
O dia para juntar os amigos em casa
O dia para aquele banho cheio de espuma
O dia para se ouvir aquela música
O dia para não ter pressas
O dia para amar alguém
O dia para se fugir sozinho para algum lugar esquecido
O dia para cozinhar aquela especialidade para alguém
O dia para se ficar a apanhar sol numa espalanada
O dia para se refugiar com alguém num lugar só de ambos
O dia para nos desafiarmos a nós mesmos
O dia para se fazer alguém realmente feliz
O dia para vaguear sem destino
O dia para comer aquele bolo de chocolate
O dia para andar a passear à chuva
O dia para se apaixonar
O dia para se ficar a ver correr o rio entre um gole e outro de chá
O dia para beijar aquela pessoa
O dia para pegar no carro e andar por ai
O dia para ficar a olhar horas e horas para um quadro, um poema ou uma fotografia
O dia para se partir sem saber se se volta
O dia para abrir o baú das recordações
O dia para fechar o baú das recordações
O dia para cometer a maior de todas as extravagâncias
O dia para se ficar a olhar para o infinito e descobrir a beleza que há apenas ali naquele agora
O dia para olhar para o mundo e perceber que a felicidade jamais será eterna. O dia para se perceber que não há nada mais estúpido do que pensar que o grande dia é sempre amanhã.É tão confortável poder olhar à volta e ver que cada dia pode ser em si mesmo "O" dia mais feliz, pelo menos até vir outro mais feliz que venha destronar este.
Sem cinismos. Há dias bons, há outros menos bons e há dias miseráveis. Mas estes últimos são apenas o nublado, são aquilo que muitas vezes descobrimos não valer as lágrimas que correm pela face abaixo; são aquilo que apenas serve para nos fazer ver toda a fraqueza que há dentro de nós; são aquilo que nos torna fortes e às vezes, sem querer, demasiado duros. Esses são aqueles dias que nos fazem perceber que todos os outros podem ser o dia mais feliz de sempre ou apenas o primeiro de muitos dias felizes.
Sem cobardias. Ultrapassa-se sempre tudo o que pode fazer-nos perder o sorriso. Umas vezes demora-se mais tempo. Outras vezes menos. Ás vezes a dor é insuportável e outras é tão tão grande que nos engole, mastiga e volta a deitar-nos cá para fora. Deixará para sempre a sua marca e as suas consequências podem até durar para sempre. Mas, a verdade é que fazer do mau bom é muito (mas mesmo muito) mais dificil do que deixar que esse mau nos torne piores pessoas. É tão mais fácil deixar-se levar do que lutar.... e é precisamente por isso que vencer essas pequenas lutas interiores é tão bom.
Sem demasiada inocência. É óbvio que não é tarefa fácil. Se existisse uma fórmula para se ser feliz não era necessário procurar a felicidade, bastava concretizar a dita cuja fórmula e puff acontecia. Por isso gosto tanto das pequenas alegrias quotidianas.
sábado, 7 de julho de 2007

hay algo en mi alma que vuelve a vibrar
con la luz de las estrella
sen mis sentimientos te vuelvo a encontrar
Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada más
quiero que esta noche sueltes
toda esa alegría que ya no puedes guardar.
Paso las horas fumando
oyendo en el viento la misma canción
porque el tiempo que vale
lo marca el latido de mi corazón
Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada más
quiero que esta noche sueltes toda esa alegría
que ya no puedes guardar
Deja que tus sueños sean olas que se van
libres como el viento en mitad del mar
creo que la vida es un tesoro sin igual
de los buenos tiempos siempre quiero más
Soy como el agua del río
y por el camino me dejo llevar
porque aprendí que la vida
por todo lo malo algo bueno te da
Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada mas
quiero que esta noche sueltes toda esa alegría
que ya no puedes guardar
Deja que tus sueños sean olas que se van
libres como el viento en mitad del mar
creo que la vida es un tesoro sin igual
de los buenos tiempos siempre quiero más.
Deja que tus sueños sean olas que se van...
creo que la vida es un tesoro sin igual
me dejo llevar..."
Listen for yourself. vale a pena perder uns minutos: http://www.youtube.com/watch?v=DC0UM4zcUDw
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Ei-los :
O Abismo Prateado deMagritte que me arrastou até ao CCB

O Vieira da Silva que tem um grande problema de moldura. O tal da moldura estampada. Imagine-se?!!?!?!?
O Celeiro da Paula Rego que me fez reconsiderar as minhas reticências à senhora
Tentações orientais
Se há alguma coisa no mundo que conforta o espírito, o corpo e o estômago é precisamente isto: o maravilhoso sushi. uhmmmmmmmmmmm. Mais importante que as tecnologias, os carros e os afins que vêm lá daquele longe oriente, são estes pedaços de paraíso com formas esquisitas. verdadeiras iguarias para todos os sentidos. Viva a globalização!
A colecção do senhor Berardo

quinta-feira, 28 de junho de 2007
Coimbra das farmácias

terça-feira, 26 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Pronúncia do norte

Cada vez mais a Julieta ....=)
Porque é demasiado bonita para não partilhar
Vivir sin aire
Maná & Julieta Venegas

Para esclarecer.....
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=247358&idselect=10&idCanal=10&p=200
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=282149
A morte traiçoeira das televendas

Eu ainda sou do tempo em que de madrugada as televendas eram senhoras e rainhas.
Quem não conseguia dormir o que é que fazia? Ligava a tv e via as televendas sempre com os seus produtos fantásticos. Depois, assim mais ou menos entre um produto ou outro, o sono chegava e ia dormir-se tranquilo.
Quem chegava de uma noitada, já com uns copos e tal, e fazia uma breve paragem pela cozinha e fazia o quê? Entre uma e outra olhadela para o frigorifico em busca de qualquer restinho para aconchegar o estômago ligava-se a tv e assistia-se às últimas novidades no reino da inutilidade das televendas. Com o estômago alimentado e a pensar em comprar 10 dos 15 produtos apresentados caminhava-se em direcção ao soninho.
Quem passava as noites a trabalhar como é que fazia intervalos para não adormecer? Ligava a televisão observava uma quantidade razoável de anúncios para ganhar energia e voltar ao trabalho.
Mas esses eram outros tempos. Tempos felizes. Tempos em que as televendas eram parte da nossa vida nocturna. Quem é que nunca viu? Não há ninguém!!!!
Pois que, na última sexta feira fui sair e quando cheguei a casa liguei a tv, em jeito de "deixa lá ver se ainda está para aí a dar algum filme....." e foi aí. Foi nesse momento que eu chorei a morte das televendas.
Então não é que me deparei com uma "senhora" histérica aos berros a dizer coisas como: "Ligue-me. vá. pegue no telefone e diga-me quais são os doces regionais do algarve", " o que é que ainda está aí fazer?" "Já alguma vez foi ao algarve? Se não foi de certeza que conhece alguém que já lá foi" " Ah ganhe notas como estas que estão a cair aqui no estudio" .... Tudo isto acompanhado com muitos berros, de gestos consecutivos e imensos, com muitos comentários ocos, com muita parvoíce e com muito muito mas muito ridículo.
A coisa começa lá para as três e pouco da manhã, chama-se "Toca a Ganhar" e segundo as minhas investigações dura cerca de uma hora. É apresentado por uma senhora que se chama Liliana qualquer coisa, uma daquelas que esteve no Big Brother em tempos idos. Bem, apesar de não saber o nome há uma coisa de que desconfio: ou a senhora está a ganhar muuuuuuuuuuuuuito bem para fazer tais figuras ou então não se enxerga. Eu sei que aquilo é em directo, mas ela podia pedir a alguém para gravar e observar o quão mau aquilo é, não?
Aiii como eu senti, na sexta feira, saudades de ver espumas que fazem crescer o cabelo de senhores carecas, de colchões insufláveis que nem as garras de um leão rompem, kit's de emagrecimento milagrosos em que se perde 100 quilos em 5 minutos, escovas que fazem uma pessoa de cabelo liso ter caracóis, frigideiras que se transformam, kit's de cabeleireiro/manicure/pedicure profissionais para leigos
..... tudo isto por módicas quantias que podiam ser pagas a suaves prestações e produtos que podiam ser trocados se o cliente não ficasse satisfeito... Até as letras pequeninas reveladoras das trafulhices deixam saudade nos corações mais despedaçados.....
E agora, o que será das crianças que nunca tiveram oportunidade de ver as televendas e ligam a tv numa noite de insónias ou afins e se deparam com isto??? aiiii este mundo caminha para a desgraça.
domingo, 24 de junho de 2007
Azares irónicos
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Ladrões pecadores
Sendo que um dos aparelhos electrónicos era uma máquina registadora que havia sido dada como roubada numa casa de alterne. Eis que estes senhores conseguiram juntar o sagrado e o profano no mesmo covil.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Micro-mini-férias ao sul

Porque temos estilo, o do Pump it com o volume perto do máximo.
Porque temos uns brinquedos porreiros.
Porque o senhor Adalberto tem uma barraquinha de praia cool (mesmo sem água quente, mas sempre sempre pela poupança de energia e pelos painéis solares).
Porque com praia ou com piscina o que importa são os raios de sol e o trabalho para o bronze
Porque as ideias espontâneas são sempre as mais felizes.
Porque as canecas dão outro estilo à coisa.
Porque com ou sem crepes vale sempre a pena ir não se sabe bem para onde.
Porque o Algarve aqueceu o corpo e o espirito.
Porque Albufeira fica a 5 quilómetros (ou a 20 se se der a volta grande!!!!)
Porque as 10 da manhã é sempre uma boa hora para o telefone tocar.
Porque as novelas podem ser elementos definidores dos horários.
Porque as produções fotográficas fazem doer a barriga de tanto rir
Porque foi bom ter-vos por perto.
Porque fazemos uma boa equipa
Porque gosto de vocês
Porque sim e porque não.
Por tudo o que foi e pelo tanto que importa.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Baptismo à esquerda

sábado, 2 de junho de 2007
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Agoras

"O agora. Este momento. Este segundo. Normalmente só nos apercebemos da grandeza de um pequeno momento quando ele já passou. Aquele segundo em que você viu uma flor e decidiu oferecer-lhe 250. Aquele segundo em que você descobriu que o pai da sua namorada tem um capachinho. Aquele segundo em que você descobriu que um mergulho em "bomba" era a coisa mais engraçada do mundo, mas que as suas tias, completamente encharcadas, não achavam piada nenhuma. Aquele segundo, há não sei quantos anos, em que uma senhora lhe ofereceu uma bolachinha e você respondeu "forreta". São segundos, são minutos, felizmente ao todo são muitas e muitas horas da sua vida. São momentos que nunca se repetem. Por isso, é preciso vivê-los como tal: sem igual. Coleccione-os, prolongue-os, mas não ignore o mais pequeno sinal. provavelmente vem aí um grande momento. Viva o melhor da sua vida. Viva o momento. Now"
É isto. Tão pura e simplesmente isto.
(*Hopper porque sim e por mais nada)
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Mal e Bem

Tens de trazer a cabeça
Tudo o que se passa à tua volta
Mal e bem
Mal e bem
E o que está mal neste instante
Só mais um beijo
sábado, 26 de maio de 2007
O espelho

"Não sinto o espaço que encerro
nem as linhas que projecto
se me olho a um espelho
não me acho no que me projecto"
Mário Sá Carneiro
Por vezes, olho-me ao espelho e não me reconheço naquilo que projecto. Aquilo que ele me devolve é uma imagem que varia entre a familiaridade e a estranheza. Quem é aquela imagem que ali está? quem é aquela pessoa? O que está dentro desse eu que ali está delineado?
Pergunto-me muitas vezes quão bem me conheço a mim mesma e quantas mais vezes irei perceber todos os dias me vou conhecendo e muitas vezes surpreendendo. Por isso, o espelho devolve-me uma imagem de mim que nem sempre reconheço.Por isso, as linhas que projecto têm tons, texturas e formas tão variáveis. E que delicioso é ir-me conhecendo e testando aquilo que penso ser e aquilo que descubro que não sou, E é nesta inconstância de "eu's" que me vou encontrando e que vou percebendo o que quero da vida.
domingo, 20 de maio de 2007
The wedding
sexta-feira, 18 de maio de 2007
O beijo





"Um beijo. Afinal de contas, o que é um beijo?
Um juramento feito um pouco mais perto, uma promessa mais precisa, uma confissão que quer confirmar-se, uma letra cor-de-rosa que se põe no verbo amar.
É um segredo que substitui a boca pelo ouvido, um momento de infinito que faz um zumbido de abelha, uma comunhão com gosto de flor, uma maneira de se respirar, um pouco de coração e de se saborear, na ponta dos lábios a alma"
Esta foi a descrição mais bonita que ouvi. É assim que se sentem os beijos quando são de verdade. É assim que fazem sentido...quando são sentidos dessa forma. É essa inexistência de mundo e de tudo em que nada mais importe para além desse beijo. Era assim que deveriam ser todos os beijos. É assim, tão simplesmente assim.
( Imagens: Rubens Gerchman; Renée Magritte, Robert Doisneau, Renée Magritte e Gustav Klimt)
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Lados e lados
O cartaz em Sintra
"ESPLANADE
Drinks, Foods and Port Wine"
Vivas às traduções livres de português-inglês eheheh
terça-feira, 15 de maio de 2007
Pequenas trivialidades quotidianas
Ontem fui ali até à zona da Sé, em Lisboa, e como tenho a mania que os lugares estão sempre à porta à minha espera, lá fui eu. Mas não estava nenhum à minha espera. Comecei a subir em direcção ao castelo e lá me apareceu um recém estreado parque subterraneo da Emel, já quase na Graça. Bom, nada de estranho. Lá fui eu, tinha uma cancela daquelas com uns sensores fixes que se aproxima o carro e elas abrem sozinhas e eis que me deparei com o GRANDE problema: à frente da cancela havia dois portões fechados (?!?!?!?).
Aproximei-me e eis que vejo a seguinte inscriçao:"Carregue no botão vermelho se não há seres vivos dentro do veículo". uhmmmmmmmmmmmmmm Ora, os meus cabelos loiros falsos já não ajudam, mas isto confundiu-me. Será que eu conto como ser vivo? e se conto quer dizer que n posso estar dentro do carro? e se n posso estar dentro do carro como é que ele vai para a garagem? e se ele n vai para dentro da garagem com é que se estaciona?
Estava eu a tentar perceber isto tudo e a começar a inverter a marcha e bazar dali, daquele sitio esquisito, quando se aproxima o "senhor" lá do sitio que se revelou uma ajuda preciosa para a menina. Ora, eu explico: aquele parque é uma coisa muito à frente.
A manobra é a seguinte: tem de se aproximar o carro bem juntinho ao portão, ele abre automaticamente, conduz-se o carro até um elevador, sai-se do carro, recolhe-se os espelhos, tranca-se e sai-se portão fora. Aí sim, carrega-se no botão vermelho - porque já não há, de facto, nenhum ser vivo dentro do carro - depois carrega-se no botão verde para sair o bilhete do parque e o portão fecha. Eh pá, confesso que fiquei a pensar para onde iria o meu querido carrinho, se o voltaria a ver, se quando o chamasse ele me ouviria lá nas profundezas e se voltaria mesmo o meu ou outro carro.
Umas horas depois meio a medo aproximei-me de novo do parque e fui perceber como é que o chamava. Depois de pagar pus o bilhetinho numa máquina e não é que ele veio mesmo ter comigo?
Momento 2 - A ida ao supermercado
Devido a uma inexplicável ausência de porcarias pouco saudáveis na despensa cá de casa decidi ir até ao supermercado. Primeira paragem: bolachas. Segunda, e interessante, paragem: iogurtes. Já alguém terá reparado na quantidade de modelos que há? No tempo em que eu era criança havia de morango, banana, natural e pouco mais. Agora há coisas como iogurte de lichia, iogurte de pessego e chá branco, frutos tropicais e jindungo, morango chocobits e chili (?!?!?!?). Comecei a sentir a minha velhice em frente às prateleiras dos iogurtes =/
Momento 3 - Descobertas de Estado
Os meus "amigos" gatos ajudaram-me a definir o meu estado relativamente à religião cristã. Vivo em "ambiguidade teológica" eheheheh mais ou menos um "extremo centro"
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Porque
"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."
Sophia de Mello Breyner
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Seven

São sete os pecados mortais. Destes, padeço de uns quantos. Mas como são doces estes pedaços de pecados... A lúxuria feita de exuberância e sensualidade. A vaidade feita de pequenas futilidades mundanas. A preguiça envolta num molengão dolce fare niente. A gula feita de provocações vindas de iguarias. A avareza vinda das pequenas maldades quotidianas. De parte deixo a vingança e a inveja que apenas destroem e magoam.
sábado, 5 de maio de 2007
O presidente apareceu na TV à hora do jantar.Os minutinhos de fama do senhor presidente da capital

Depois de um belo discurso repleto de auto-coitadinhice, de acusações aos bichos feios gordos e maus dos jornalistas que o julgaram injustamente nos jornais, depois de uma lista de feitos maravilhosos conseguidos pelo próprio ao longo do mandato, depois de dizer que os meninos que jogam à bola com ele no partido não apoiaram o menino que joga na mesma equipa mas que está de branco e não de laranja, depois de uma narrativa cuidadosamente ensaiada no passado e que fazia prever que o final seria o esperado, depois da cara e pose de funeral dos senhores vereadores, depois de encarnar o papel do puto lá do bairro que leva porrada de todos porque é magricela e depois de saltar do bolo e dizer "Surpresa!"... depois de tudo isso chegou o momento da apoteose "ahaha queria que eu fosse embora mas eu não vou. Toma, toma, toma". Acredito mesmo que até tenha havido, no imaginário do senhor, um deitar a lingua de fora e tudo.
Bem, a verdade é que surpreendeu mesmo. Dei por mim de boca aberta. Não cheguei ao ponto de estar a babar e essas coisas, mas confesso que achei uma certa graça a este momento politico-embaraçoso-heroico-do-contra. O senhor baixinho ficou com o melão, os senhores que se estavam a fazer ao cargo ficaram confundidos e ele teve uns minutitos de fama na abertura de todos os telejornais. Serviu para alguma coisa? Bem, pelo menos para o ego se calhar sim.
Acusam-no de estar "agarrado ao poder", de ser trafulha, de ter adormecido na cadeira da presidência e de não estar a dar a liberdade aos lisboetas para votar e muitos blá, blá blá
Bem, resta esperar para ver os proximos episódios da novela. por agora, ficam umas piaditas que circulam por aí
Alternativas à senilidade

sexta-feira, 4 de maio de 2007
Frescas e más. Muito más.
Hoje, dia igual a tantos outros, Alcatraz recebeu novas vindas dos céus. Em declarações exclusivas para o maravilhoso mundo ranhoso, disse-se: "Acabaram-se os desperdícios. Jamais faremos parte daqueles que desaproveitam os bens. Lutaremos pelo bem do planeta e pela salvação do meio ambiente. Por isso, acabaram-se as reproduções em papel daquilo que aparece no ecrã (vulgo: impressões). Desliguem-se as máquinas". E assim foi. Desligaram. Os operários da fábrica de chouriço obedeceram. (..... por breves minutos!).*
* Ou seja:
- oh tu aí..... para que é que serve aquela coisa ali ao lado da minha televisão.
- Qual televisão senhor?
- Aquela ali!!!
- Ahhh.. o computador.... Está a falar da impressora, senhor?
- Da quê? ahhh está a falar daquela coisa que de vez em quando cospe folhas de papel?
- .....Pois senhor, se calhar... não sei......
- Bah aquilo não serve para nada!!!!! leve-a daqui.
- Mas senhor, todos os computadores têm uma, às vezes faz falta.
- O quê??????????? TODOS???????? Não quero mais cuspidoras de folhas dentro do meu lado da batalha naval. Tudo fora. Tudo.
- Entao, mas...
- Mas nada! Quero um exterminio total dessas mal-educadas das cuspideiras agora já imediatamente
- Se não fosse eu a zelar pelo bem dos meus meninos e meninas quem é que havia de o fazer?!?!?!?
Bem.... ou não!!
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
Mais frescas
Dicionário da caserna.
Acto 1
Tradução (livre) de italiano para português
Cena 1
Perché conservare igual a (obviamente!!): Peixe de conserva!
PS - (daqueles em letras muito pequeninas lidos muito rápido) - Para mais informação consultar a biografia (a autorizada!! aquela em que se revela toda a verdade) de Américo Vespúcio ou contactá-lo ( a ele mesmo!!!) para o seu número (de telemóvel) disponível em qualquer ponto de internet. Poderá também falar com o velhinho Varatojo para esclarecimentos adicionais ou visitar a colecção BerNardo. Informação não sujeita a receita médica (de peixe em conserva!!)
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Pedra, planta e eu
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?
Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:
Só me obriga a ser consciente.
Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.
Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.
Sei que a pedra é real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.
Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu"
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?"
Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos 1913-1915
terça-feira, 1 de maio de 2007
Amanhecer


O Portrait of Jacqueline de Schnabel genialmente feito de cacos
O Ten Foot Flowers [em azul!!!! ] do Warhol que maravilhou a minha alma







