terça-feira, 24 de julho de 2007

Uma Voz na Pedra

"Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra."

António Ramos Rosa

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Despertares ....

Um dia Sophia escreveu:

"Ás vezes julgo ver nos meus olhos

A promessa de outros seres

que eu podia ter sido,

se a vida tivesse sido outra

Mas dessa fabulosa descoberta

Só me vem terror e mágoa

De me sentir sem forma, vaga e incerta

Como a água"

Mais:

Tudo me é uma dança em que procuro

A posição ideal,

Seguindo o fio de um sonhar obscuro

Onde invento o real

À minha volta sinto naufragar

Tantos gestos perdidos

Mas a alma, dispersa nos sentidos,

Sobe os degraus do ar..."

Um dia Dali pintou:

Eis o que sinto.....

Desperto e assusto-me com uma realidade que não conhecia em sonhos;


Desperto e não me acho no que sinto, no que penso e no que projecto;


Desperto e temo não ter forças para fazer com que a alma acompanhe o corpo;


Desperto e tenho medo de jamais voltar a ser o que já fui;

Desperto e tenho medo do que sou;


Desperto e balanço entre a nostalgia de sonos passados e o receio dos sonhos futuros;

domingo, 22 de julho de 2007

"A" Lisboa

A Lisboa que faz bem à alma, a Lisboa dos recantos, a Lisboa à beira rio, a Lisboa que inspira, a Lisboa solitária e a Lisboa das multidões, a Lisboa de cortar a respiração, a Lisboa que consola, a Lisboa do fado, a Lisboa da descobertas, a Lisboa dos telhados e das águas-furtadas, a Lisboa que chora, a Lisboa das ruelas perdidas e dos escadinhas encontradas, a Lisboa dos amores, a Lisboa dos postais, a Lisboa dos eléctricos, a Lisboa dos bairros, a Lisboa dos santos populares, a Lisboa vista de uma janela. Tão somente....Lisboa
Uma Lisboa que é só minha.
A Lisboa que eu amo.



Mas só daqui se percebe porquê.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Corte e recorte

Dói. Dói tanto que se perde a vontade de tanta coisa. Dói tanto que se põe em causa o tanto e sobretudo as tantas convicções que se tem. Dói porque se perde um pouco do que se é em cada um dos pedaços que caem. Dói porque se perde o amor que se coloca em cada linha. Dói porque nos matam apontamentos de momentos que mais ninguém viu e que desta forma mais ninguém sentirá. Dói porque as histórias se tornam meias histórias despojadas de sentidos. Dói porque cada palavra não é o fruto do acaso mas o resultado de uma ponderada escolha da palavra certa para aquele lugar certo. Dói porque gosto de ver e sentir que ali está tudo o que podia dar e não um bater de tecla qualquer. Dói porque a beleza que pode haver está no todo que se alcança e não naquilo que mais chama à atenção, está nos pequenos nadas. Dói porque ainda que seja legítimo é cruel. Dói porque sentir o desprezo de alguém por aquilo de que se gosta magoa a alma.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

.......???????............. (zzzzzt fez o meu cérebro)

São 7,50 da manhã e eis que aqui estou eu provavelmente no pior aparthotel do mundo. Á minha espera está uma cama que sai de dentro de um armário ou um beliche desmontável na parede. Eis-me acabadinha de chegar de uma ronda nocturna pelos bares da moda no algarve.
Pelo caminho, a fome fez-me parar naquele que provavelmente é o lugar mais perto do surreal que consigo imaginar (muito provavelmente e com tda a certeza pelo estado em que o meu cérebro está depois de 24 horas nonstop). Chama-se Bistro Oasis Club (nome com um toque british, ie, estrangeiro), fica ali logo à saída de Vilamoura, tem umas tostas maravilhosas (no caso, e deve ser mm sono, adorei uma tosta de galinha com alho e queijo extra!!) que misturei com um leite com chocolate (Ucal, que era o que havia) numa maravilhosa (...mente manhosa!) combinação de sabores. Á volta paira o surreal. Umas espanholas acompanhadas por um português tentam pedir uma tortilha a uma empregada de mesa oriunda de um país de leste que não sabe o que é uma tortilha e que tenta explicar (não sei em que língua...) que não tem tostas de manteiga (oinc!!!). Nunhum deles se entende e lá vem qualquer coisa que elas acham que pediram e que a senhora acha que entendeu.
Enquanto mastigo a minha tosta olho à volta. Á minha frente está uma televisão e um plasma os dois a darem a mesma coisa e virados para o mesmo sítio em que eu estou. No canal, o Fashion TV, que está ligado passa a colecção de inverno de um qualquer inverno passado apesar de estar a nascer um belo dia de Verão fora das janelas. Por baixo, há um anúncio aos "Bilhares Chorão" colocado numa máquina de jogos. Antes de vir embora tenho oportunidade de assistir a dois meninos, sentados atrás de mim, a comerem uma francesinha (o prato típico, não uma menina oriunda daquele país acima de Espanha e abaixo da Holanda) e a partilharem uma travessa de batatas fritas (apesar de ainda não serem sequer oito da manhã).
Pelo caminho de volta para este belo lugar em que me encontro, passo por lugares como a Patã ou a Mari-não-sei-das quantas enquanto senhoras honradas e senhores trabalhadores se preparam para um belo dia de trabalho e eu para um belo dia a dormir desgraçadamente. Mesmo a chegar ao aparthotel ouço o toque do despertador do meu telemóvel que toca à mesma hora que eu o programei para tocar ontem quando acordei (há milhares de anos atrás, diriam as minhas costas, os meus pés, os meus rins, as minhas olheiras e tds os afins.... que não sinto sequer)
São 8,17 da manhã e vou cair na cama. Espero que o armário de onde sai a cama não se feche comigo lá dentro.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Os senhores (e senhora) que querem a cadeira estão a (de)bater-se



Eu percebo a ideia e sem dúvida que o debate tem todo o potencial para ser um bom debate. Mas doze pessoas ao mesmo tempo não é uma coisa fácil de gerir e a senhora dona Fátima está "à nora"para os pôr a falara um de cada vez sem amuos ...... (e eis que o Carmona acaba de dizer a brilhante expressão "por causa que..." ). oh para a Roseta a revoltar-se "Não me tire assim a palavra, sff". oh para o Garcia Pereira a dizer: "Agora sou eu a falar.Não me interrompa!"

Pois, não dá mesmo. Aliás os senhores estão sempre a perguntar (antes de falar) "ainda os transportes?", "ainda o Chiado?".

Ehehehe o senhor do PNR diz "eu falei menos uma vez por isso agora posso alargar-me" (em tom espertalhão!)). "Não pode, não! (em tom ameaçador!), diz a Fátinha


.... uhmmm não sei qual seria a solução mas, com certeza, não pode ser assim porque NINGUÉM SE ENTENDE ali no meio e eu (se calhar é apenas problema meu) não consigo ver nenhum deles dizer qualquer coisa com pés e cabeça. No meio desta confusão fica tudo meio-dito!

Hoje é o dia !




Todos os dias são "O" dia ideal.


O dia para ir a um lugar onde sempre se quis ir
O dia para ver aquele filme
O dia para reencontrar aquele amigo
O dia para se conhecer aquele desconhecido
O dia para jantar com a familia
O dia para se ir aquele restaurante
O dia para fazer uma supresa a alguém muito querido
O dia para se fazer a loucura que está há anos para ser feita
O dia para dizer disparates
O dia para rir, rir, rir sem parar
O dia para se mimar e se ser mimado
O dia para comprar aquele vestido que provavelmente nunca se vai usar
O dia para passar horas a fio a conversar com alguém
O dia para se sorrir
O dia para juntar os amigos em casa
O dia para aquele banho cheio de espuma
O dia para se ouvir aquela música
O dia para não ter pressas
O dia para amar alguém
O dia para se fugir sozinho para algum lugar esquecido
O dia para cozinhar aquela especialidade para alguém
O dia para se ficar a apanhar sol numa espalanada
O dia para se refugiar com alguém num lugar só de ambos
O dia para nos desafiarmos a nós mesmos
O dia para se fazer alguém realmente feliz
O dia para vaguear sem destino
O dia para comer aquele bolo de chocolate
O dia para andar a passear à chuva
O dia para se apaixonar
O dia para se ficar a ver correr o rio entre um gole e outro de chá
O dia para beijar aquela pessoa
O dia para pegar no carro e andar por ai
O dia para ficar a olhar horas e horas para um quadro, um poema ou uma fotografia
O dia para se partir sem saber se se volta
O dia para abrir o baú das recordações
O dia para fechar o baú das recordações
O dia para cometer a maior de todas as extravagâncias
O dia para se ficar a olhar para o infinito e descobrir a beleza que há apenas ali naquele agora

O dia para olhar para o mundo e perceber que a felicidade jamais será eterna. O dia para se perceber que não há nada mais estúpido do que pensar que o grande dia é sempre amanhã.É tão confortável poder olhar à volta e ver que cada dia pode ser em si mesmo "O" dia mais feliz, pelo menos até vir outro mais feliz que venha destronar este.

Sem cinismos. Há dias bons, há outros menos bons e há dias miseráveis. Mas estes últimos são apenas o nublado, são aquilo que muitas vezes descobrimos não valer as lágrimas que correm pela face abaixo; são aquilo que apenas serve para nos fazer ver toda a fraqueza que há dentro de nós; são aquilo que nos torna fortes e às vezes, sem querer, demasiado duros. Esses são aqueles dias que nos fazem perceber que todos os outros podem ser o dia mais feliz de sempre ou apenas o primeiro de muitos dias felizes.

Sem cobardias. Ultrapassa-se sempre tudo o que pode fazer-nos perder o sorriso. Umas vezes demora-se mais tempo. Outras vezes menos. Ás vezes a dor é insuportável e outras é tão tão grande que nos engole, mastiga e volta a deitar-nos cá para fora. Deixará para sempre a sua marca e as suas consequências podem até durar para sempre. Mas, a verdade é que fazer do mau bom é muito (mas mesmo muito) mais dificil do que deixar que esse mau nos torne piores pessoas. É tão mais fácil deixar-se levar do que lutar.... e é precisamente por isso que vencer essas pequenas lutas interiores é tão bom.

Sem demasiada inocência. É óbvio que não é tarefa fácil. Se existisse uma fórmula para se ser feliz não era necessário procurar a felicidade, bastava concretizar a dita cuja fórmula e puff acontecia. Por isso gosto tanto das pequenas alegrias quotidianas.

sábado, 7 de julho de 2007




Sueños
Diego Torres e Julieta Venegas

"Cuando la noche se acerca
hay algo en mi alma que vuelve a vibrar
con la luz de las estrella
sen mis sentimientos te vuelvo a encontrar

Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada más
quiero que esta noche sueltes
toda esa alegría que ya no puedes guardar.

Paso las horas fumando
oyendo en el viento la misma canción
porque el tiempo que vale
lo marca el latido de mi corazón

Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada más
quiero que esta noche sueltes toda esa alegría
que ya no puedes guardar

Deja que tus sueños sean olas que se van
libres como el viento en mitad del mar
creo que la vida es un tesoro sin igual
de los buenos tiempos siempre quiero más

Soy como el agua del río
y por el camino me dejo llevar
porque aprendí que la vida
por todo lo malo algo bueno te da


Quiero que me mires a los ojos
y que no preguntes nada mas
quiero que esta noche sueltes toda esa alegría
que ya no puedes guardar


Deja que tus sueños sean olas que se van
libres como el viento en mitad del mar
creo que la vida es un tesoro sin igual
de los buenos tiempos siempre quiero más.


Deja que tus sueños sean olas que se van...
creo que la vida es un tesoro sin igual
me dejo llevar..."





Listen for yourself. vale a pena perder uns minutos: http://www.youtube.com/watch?v=DC0UM4zcUDw

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Ei-los :

Ontem, dado o adiantado da hora e dado o facto de o Tico (bêbado) e o Teco (ganzado) já estarem enroscados na ervilha furada (eis a pequena e breve descrição do que está por baixo destes cabelinhos loiros falsos ) não encontrei nada daquilo que queria. Por isso, eis aquilo a que me referia:


O Abismo Prateado deMagritte que me arrastou até ao CCB



O Vieira da Silva que tem um grande problema de moldura. O tal da moldura estampada. Imagine-se?!!?!?!?

O Celeiro da Paula Rego que me fez reconsiderar as minhas reticências à senhora



O Portrait of Jacqueline de Schnabel genialmente feito de cacos




O Interior with Restful Paintings [que nome parvo!!!] de Roy Lichtenstein que desconhecia





O Ten Foot Flowers [em azul!!!! ] do Warhol que maravilhou a minha alma

Tentações orientais

Se há alguma coisa no mundo que conforta o espírito, o corpo e o estômago é precisamente isto: o maravilhoso sushi. uhmmmmmmmmmmm. Mais importante que as tecnologias, os carros e os afins que vêm lá daquele longe oriente, são estes pedaços de paraíso com formas esquisitas. verdadeiras iguarias para todos os sentidos. Viva a globalização!

A colecção do senhor Berardo


A colecção do senhor Berardo (ou Bernardo, para algumas pessoas) é fixe.
Dispensava-se a fila de tugas à porta para entrar, uma fila que fazia um "L" atrio do CCB e outro "L" já dentro de portas. Dispensava-se andar a espreitar por cima das cabeças (o que no meu caso não é, de todo, tarefa fácil) para ver uma ou outra peça.
No entanto, confesso que fiquei impressionada com a quantidade de peças que o senhor da Madeira (e do Benfica, e da PT, e do BCP e do BPI e por aí fora) juntou, com a qualidade de algumas das obras, com a diversidade que ali está naquelas paredes e mais que tudo surpreendida com o bom gosto daquele espécie de homem cheio da massa e cheio de falta de quase tudo. Quer dizer..... acredito que há volta dele haja quem tenha bom gosto para usar o dinheiro dele.... Opiniões sobre o senhor à parte, gostei.
As estrelas da companhia têm o traço do Picasso, mas não é o mais impressionante. A zona da poparte e companhia está encantadora com os seus Warhol(s); o porta garrafas do Duchamp impressiona não por ter algo de especial, mas por aquilo que se lhe seguiu e pela assinatura do senhor mm ali à frente; o fabuloso Portrait of Jacqueline de Schnabel feito de peças de louça em pedaços; o Celeiro da Paula Rego que é, certamente, a primeira obra dela para a qual olho e gosto; os instantes captados pela câmara da Cindy Sherman; a poesia do Fernando Lemos em forma de fotografia; e claro o motivo da minha ida tão rápida lá: O Abismo Prateado do Magritte- que arrepio na espinha estar ali a meio metro. Acho, sobretudo, que é uma exposição com surpresas, pontuada de pequenos tesouros aqui e ali.
Há também o lado oposto: o não perceber o que raio alguns objectos, que ali conquistaram lugar, têm de arte, a falta de beleza de algumas das peças e há acima de tudo e mais qualquer coisa "um incrível problema de moldura". O que raio faz uma moldura de madeira com umas flores manhosas a emoldurar um Vieira da Silva ???????????????????????????????? onde é que ainda se usam pequenas molduras em tons de metal dourado à volta seja do que for? Pois....Mas, contas feitas a uma tarde quase inteira de sábado, acho que valeu a pena. Claro que a passagem pela Portugal Rural e a Tosta de Alheira com Beringela e Alecrim acompanhadas pela limonada com hortelã foram uma preciosa(e deliciosa!!) entrada para apreciar a coisa como deve de ser.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Coimbra das farmácias


Pois é..... eu não sei porquê mas haverá certamente um motivo para que existam TANTAS farmácias em Coimbra. Mas é que não são muitas... é mesmo uma imensidão delas. Ás vezes chega mesmo ao "porta sim, porta sim".
Já fiz este exercício e comprovei a coisa. Não é possível estar no centro de Coimbra e não se estar a ver pelo menos duas/três farmácias à volta. Já consegui, inclusive, estar no centro de uma praça e ver CINCO ao mesmo tempo em diferentes ruas. É um "fenómeno" que quero mesmo mesmo entender um dia.
Será que há muita gente doente por lá? ou será que é para os estudantes que às vezes ficam assim a modos que adoentados lá para as madrugadas à beira Mondego? Será que estão a tentar entrar para o Guiness? Será que é assim mesmo fixe ter uma farmácia? uhhmm.... aceito sugestões.

terça-feira, 26 de junho de 2007

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Pronúncia do norte


Há quase quinze dias andei pelo norte e uma vez mais reconheço o encanto que há acima do Douro. Eu amo Lisboa e por empréstimo recorrente começo a render-me ao Porto. Sem comparações, porque não as há. Poderia divagar sobre dezenas de coisas... mas gosto das pessoas, gosto daquela maneira de ser de quem lá está, gosto das ruas e das avenidas, gosto do cheiro e gosto sobretudo da Ribeira. É bonita e está cada vez mais bonita com a requalificação, é tranquilo e agitado ao mesmo tempo, o rio ali mesmo ao lado, as pontes que vêm e atravessam o rio, o ambiente.... well, gosto. E é somente isso.


Cada vez mais a Julieta ....=)


Porque é demasiado bonita para não partilhar

Vivir sin aire

Maná & Julieta Venegas

"Cómo quisiera poder vivir sin aire...
Cómo quisiera poder vivir sin agua...
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti.
Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.
Cómo quisiera poder vivir sin aire,
Cómo quisiera calmar mi aflicción.
Cómo quisiera poder vivir sin agua.
Me encantaría robar tu corazón.
¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti. Oh No
Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.
Cómo quisiera poder vivir sin aire.
Cómo quisiera calmar mi aflicción.
Cómo quisiera poder vivir sin agua.
Me encantaría robar tu corazón.
Cómo quisiera lanzarte al olvido.
Cómo quisiera guardarte en un cajón.
Cómo quisiera borrarte de un soplido.
Me encantaría matar esta canción."
(Gostaria de poder pôr o link assim "à la croma", mas o youtube só tem a versão dele sem ela e não é a mesma coisa, nem tem o mesmo encanto)

Para esclarecer.....

Para que não haja confusões e menos ainda mal entendidos eis os links que comprovam que eu estava mesmo a falar de um incêndio. Não era uma mensagem oculta e menos ainda nenhuma indirecta para alguém. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência:

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=247358&idselect=10&idCanal=10&p=200

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=282149

A morte traiçoeira das televendas

(DESDE JÁ SE AVISA QUE ESTA É UMA GRAAAANDE VIAGEM NA MAIONESE)



Eu ainda sou do tempo em que de madrugada as televendas eram senhoras e rainhas.



Quem não conseguia dormir o que é que fazia? Ligava a tv e via as televendas sempre com os seus produtos fantásticos. Depois, assim mais ou menos entre um produto ou outro, o sono chegava e ia dormir-se tranquilo.



Quem chegava de uma noitada, já com uns copos e tal, e fazia uma breve paragem pela cozinha e fazia o quê? Entre uma e outra olhadela para o frigorifico em busca de qualquer restinho para aconchegar o estômago ligava-se a tv e assistia-se às últimas novidades no reino da inutilidade das televendas. Com o estômago alimentado e a pensar em comprar 10 dos 15 produtos apresentados caminhava-se em direcção ao soninho.



Quem passava as noites a trabalhar como é que fazia intervalos para não adormecer? Ligava a televisão observava uma quantidade razoável de anúncios para ganhar energia e voltar ao trabalho.



Mas esses eram outros tempos. Tempos felizes. Tempos em que as televendas eram parte da nossa vida nocturna. Quem é que nunca viu? Não há ninguém!!!!

Pois que, na última sexta feira fui sair e quando cheguei a casa liguei a tv, em jeito de "deixa lá ver se ainda está para aí a dar algum filme....." e foi aí. Foi nesse momento que eu chorei a morte das televendas.

Então não é que me deparei com uma "senhora" histérica aos berros a dizer coisas como: "Ligue-me. vá. pegue no telefone e diga-me quais são os doces regionais do algarve", " o que é que ainda está aí fazer?" "Já alguma vez foi ao algarve? Se não foi de certeza que conhece alguém que já lá foi" " Ah ganhe notas como estas que estão a cair aqui no estudio" .... Tudo isto acompanhado com muitos berros, de gestos consecutivos e imensos, com muitos comentários ocos, com muita parvoíce e com muito muito mas muito ridículo.



A coisa começa lá para as três e pouco da manhã, chama-se "Toca a Ganhar" e segundo as minhas investigações dura cerca de uma hora. É apresentado por uma senhora que se chama Liliana qualquer coisa, uma daquelas que esteve no Big Brother em tempos idos. Bem, apesar de não saber o nome há uma coisa de que desconfio: ou a senhora está a ganhar muuuuuuuuuuuuuito bem para fazer tais figuras ou então não se enxerga. Eu sei que aquilo é em directo, mas ela podia pedir a alguém para gravar e observar o quão mau aquilo é, não?



Aiii como eu senti, na sexta feira, saudades de ver espumas que fazem crescer o cabelo de senhores carecas, de colchões insufláveis que nem as garras de um leão rompem, kit's de emagrecimento milagrosos em que se perde 100 quilos em 5 minutos, escovas que fazem uma pessoa de cabelo liso ter caracóis, frigideiras que se transformam, kit's de cabeleireiro/manicure/pedicure profissionais para leigos

..... tudo isto por módicas quantias que podiam ser pagas a suaves prestações e produtos que podiam ser trocados se o cliente não ficasse satisfeito... Até as letras pequeninas reveladoras das trafulhices deixam saudade nos corações mais despedaçados.....

E agora, o que será das crianças que nunca tiveram oportunidade de ver as televendas e ligam a tv numa noite de insónias ou afins e se deparam com isto??? aiiii este mundo caminha para a desgraça.

domingo, 24 de junho de 2007

Azares irónicos

Algures por esse país fora houve um acidente. É trágico e longe de mim troçar da desgraça dos outros, mas não deixa de ser irónico haver um incêndio numa fábrica de velas, pior ainda se tiver sido causado por um fósforo =/

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Ladrões pecadores

Foi encontrado, na Moita (a terreola, não a espécie de arbórea), o covil de uns "ladrõezecos" que andavam a fanar obras de arte sacra. Os dois suspeitos detidos pelos 'guardas da gênêrê' do Montijo foram acusados de roubo de: "seis imagens de arte sacra, quatro crucifixos, 17 castiçais, um suporte para velas, um mosquete decorativo, um relógio de sala em forma de torre, vários aparelhos electrónicos, três candeeiros, uma máquina de escrever, diversos talheres em prata, duas chapas de matricula um telemóvel, uma viatura ligeira de mercadorias e cerca de 618,19 euros"
Sendo que um dos aparelhos electrónicos era uma máquina registadora que havia sido dada como roubada numa casa de alterne. Eis que estes senhores conseguiram juntar o sagrado e o profano no mesmo covil.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Micro-mini-férias ao sul



Porque temos estilo, o do Pump it com o volume perto do máximo.
Porque temos uns brinquedos porreiros.
Porque o senhor Adalberto tem uma barraquinha de praia cool (mesmo sem água quente, mas sempre sempre pela poupança de energia e pelos painéis solares).
Porque com praia ou com piscina o que importa são os raios de sol e o trabalho para o bronze
Porque as ideias espontâneas são sempre as mais felizes.
Porque as canecas dão outro estilo à coisa.
Porque com ou sem crepes vale sempre a pena ir não se sabe bem para onde.


Porque o Algarve aqueceu o corpo e o espirito.
Porque Albufeira fica a 5 quilómetros (ou a 20 se se der a volta grande!!!!)
Porque as 10 da manhã é sempre uma boa hora para o telefone tocar.
Porque as novelas podem ser elementos definidores dos horários.
Porque as produções fotográficas fazem doer a barriga de tanto rir
Porque foi bom ter-vos por perto.
Porque fazemos uma boa equipa
Porque gosto de vocês
Porque sim e porque não.
Por tudo o que foi e pelo tanto que importa.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Baptismo à esquerda



Pois é verdade!!! Depois de algumas hábeis fugas a Congressos/Convenções eis que chegou a primeira vez: eis-me a curtir a convenção do Bloco all weekend long. Medo. Muuuuuuiiito medo desta ultrapassagem da esquerda às minhas desculpas. Confesso o meu quase pânico em sair de lá de mãos a abanar. Confesso que achei que iria ser uma estreia em grande miséria. Bom, mas lá saiu qualquer coisa no final. Ainda assim, não sei bem se fiquei fã. Aliás, confesso que nao fiquei de todo. Não sei se foi apenas azar ou se alguma vez mudarei de opinião.

Mas o problema não foi sequer ser fim-de-semana, ter mil um programas porreiros para fazer, precisar de dormir e estar um sol maravilhoso e eu ali fechada. Foi mesmo um problema de ritmo. Reconheço que provavelmente sou eu que sou demasiado irrequieta para tanta pacatez, mas o facto de sentir o tédio de ali estar na pasmaceira em busca de um objectivo só concretizável a esta extremamente lenta velocidade deu comigo, com o meu Tico bêbado e com o meu Teco ganzado em vegetais.Por isso, suponho que seja mesmo os bichos carpinteiros a falar.

Desinteressante? Nada disso! teve os seus momentos, deu para perceber como é cobrir um congresso, deu para dar umas risadas valentes, deu para desesperar, deu para alucinar, deu para trabalhar, deu para aprender umas coisitas. Só não deu para a conversão. Permaneço (e permanecerei) no extremo centro.

sábado, 2 de junho de 2007

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Agoras

A mexer numas tralhas antigas reencontrei uma daquelas coisas que se acha geniais, que se guarda para mais tarde se reler e que depois nos esquecemos por uns tempos. No entanto, agora que dei de caras com este pequeno papelinho voltei a achar genial, voltei a achar que faz todo o sentido do mundo e sobretudo voltei a achar que é assim que faz sentido. Trata-se de uma publicidade da Vodafone e vem do já longinquo ano de 2005 =P e não posso deixar de a partilhar.


"O agora. Este momento. Este segundo. Normalmente só nos apercebemos da grandeza de um pequeno momento quando ele já passou. Aquele segundo em que você viu uma flor e decidiu oferecer-lhe 250. Aquele segundo em que você descobriu que o pai da sua namorada tem um capachinho. Aquele segundo em que você descobriu que um mergulho em "bomba" era a coisa mais engraçada do mundo, mas que as suas tias, completamente encharcadas, não achavam piada nenhuma. Aquele segundo, há não sei quantos anos, em que uma senhora lhe ofereceu uma bolachinha e você respondeu "forreta". São segundos, são minutos, felizmente ao todo são muitas e muitas horas da sua vida. São momentos que nunca se repetem. Por isso, é preciso vivê-los como tal: sem igual. Coleccione-os, prolongue-os, mas não ignore o mais pequeno sinal. provavelmente vem aí um grande momento. Viva o melhor da sua vida. Viva o momento. Now"



É isto. Tão pura e simplesmente isto.


(*Hopper porque sim e por mais nada)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mal e Bem



Porque a vida é isto mesmo:
é dar trambolhões e saber levantar;
é enfrentar o mau para se entender o que é o bom;
é chorar para depois poder sorrir e um dia mais tarde, quiçá, rir.
Acredito que tudo o que de mau acontece é uma verdadeira (e muitas vezes dura) lição para que se saiba o que vale ou não a pena, para que não se cometa o mesmo erro mais do que uma vez e para que se seja uma pessoa melhor (ou pelo menos "não-pior") e de certeza mais forte e menos parva. As cabeçadas que dei nas duas décadas e troca-o-passo que por aqui ando têm-me servido precisamente para isto. Dói. Dói muito.

*

"Tu tens que estar sempre atento
Se queres sobreviver
Tens de saber travar
Não basta saberes correr
E quando deres por ti na rua errada
Não percas tempo a tentar disfarçar
Apressa-te a encontrar a rua certa
A vida é uma enorme encruzilhada
E qualquer um se pode enganar
Tu tens que ser muito rápido
Senão vais-te afundar
Tens de saber cair
Se é que te queres levantar
E quando tiveres monstros na cabeça
Não penses mais nisso
Há tanta coisa gira para fazer
Não te esqueças que tu és o que tu pensas
Um pensamento feito é como um cancro
Se o guardas, ele não para de crescer
Mal e bem
Estamos sempre a mexer
Mal e bem
A ganhar e a perder
Mal e bem
Agora a subir, mais logo a descer
E o que está mal neste instante
Pode estar bem a seguir
(...)

Tens de trazer a cabeça
Bem junto ao coração
Que é para poderes saber
Qual é a tua missão

Tudo o que se passa à tua volta
Está bem ligado ao fundo do teu ser
Tivemos tanta gente à espera
De frutos que afinal, eles não merecem
Quem não semeia, não tem direito a colher

Mal e bem
Estamos sempre a mexer
Mal e bem
A ganhar e a perder
Mal e bem
Agora a subir, mais logo a descer

E o que está mal neste instante
Pode estar bem a seguir

Só mais um beijo
Antes de eu me abrir
Só mais um beijo
Antes de eu partir"

Mal e Bem - Jorge Palma
*Salvador Dali

sábado, 26 de maio de 2007

O espelho


"Não sinto o espaço que encerro

nem as linhas que projecto

se me olho a um espelho

não me acho no que me projecto"

Mário Sá Carneiro





Por vezes, olho-me ao espelho e não me reconheço naquilo que projecto. Aquilo que ele me devolve é uma imagem que varia entre a familiaridade e a estranheza. Quem é aquela imagem que ali está? quem é aquela pessoa? O que está dentro desse eu que ali está delineado?
Pergunto-me muitas vezes quão bem me conheço a mim mesma e quantas mais vezes irei perceber todos os dias me vou conhecendo e muitas vezes surpreendendo. Por isso, o espelho devolve-me uma imagem de mim que nem sempre reconheço.Por isso, as linhas que projecto têm tons, texturas e formas tão variáveis. E que delicioso é ir-me conhecendo e testando aquilo que penso ser e aquilo que descubro que não sou, E é nesta inconstância de "eu's" que me vou encontrando e que vou percebendo o que quero da vida.

domingo, 20 de maio de 2007

The wedding

A vida por vezes surpreende-nos. As pessoas muitas vezes surpreendem-nos. Encontra-se a beleza e o brilho nos pequenos gestos e nos momentos mais bonitos.
Ela a deslizar pela passadeira até ao altar onde ele a espera em passadas nervosas de um lado para o outro. De mãos dadas proclamam um sim que tem o sabor de um amor imenso e de uma eternidade que se vai construindo de momentos como este. Daqui de onde estou vejo muito mais do que uma igreja. Vejo o início de uma vida em conjunto, vejo mais um passo e imagino outros tantos. Sinto o coração a encher-se de orgulho e de amor. Vejo o meu maninho como nunca imaginei ver e vejo-o realmente feliz. Vejo a minha maninha com um brilho no olhar que ilumina tudo à volta. E hoje sei que este será um dia que jamais esquecerei, será um dia que me fará acreditar que o amor verdadeiro é possível e que há almas que só fazem sentido juntas. Sei que é precisamente esta raridade que torna este momento tão, mas tão, maravilhoso. Amo-vos com todo o meu coração e, apesar de não saber explicar o porquê, a cada vez que me lembro do vosso sorriso e vos vejo juntinhos sinto que vos amo ainda mais e mais com um interminável carinho.
12 de Maio de 2007

sexta-feira, 18 de maio de 2007

O beijo


Hoje (talvez pelo adiantado da hora ou pela disposição ou pela falta dela ou por um qualquer motivo óbvio de que eu obviamente não me recordo) deu-me para vaguear, para partir por aí e não parar senão em lugar algum, onde vive apenas ninguém e onde há somente nada. Gozando um vazio que por vezes é o único consolo da alma e outras o seu maior alivio.
E porque não alguns momentos bonitos em que se junta a beleza da imagem com a mais pura das definições?

Por todos os beijos que dei ao longo da vida, por todos os beijos que não devia ter dado e por todos os beijos que quis dar e não dei












"Um beijo. Afinal de contas, o que é um beijo?
Um juramento feito um pouco mais perto, uma promessa mais precisa, uma confissão que quer confirmar-se, uma letra cor-de-rosa que se põe no verbo amar.


É um segredo que substitui a boca pelo ouvido, um momento de infinito que faz um zumbido de abelha, uma comunhão com gosto de flor, uma maneira de se respirar, um pouco de coração e de se saborear, na ponta dos lábios a alma"


Esta foi a descrição mais bonita que ouvi. É assim que se sentem os beijos quando são de verdade. É assim que fazem sentido...quando são sentidos dessa forma. É essa inexistência de mundo e de tudo em que nada mais importe para além desse beijo. Era assim que deveriam ser todos os beijos. É assim, tão simplesmente assim.


( Imagens: Rubens Gerchman; Renée Magritte, Robert Doisneau, Renée Magritte e Gustav Klimt)

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Lados e lados


"Há gente que espera de olhar vazio
na chuva, no frio, encostada ao mundo
a quem nada espanta nenhum gesto
nem raiva ou protesto
nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo
há restos de amor e de solidão
na pele, no chão, na rua inquieta
os dias são iguais já sem saudade
nem vontade aprendendo a não querer mais do que o que resta

e a sonhar de olhos abertos
na paragens, nos desertos
a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados
a sonhar de olhos abertos
sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados outro dia lado a lado

há gente nas ruas que adormece
que se esquece enquanto a noite vem
é gente que aprendeu que nada urge
nada surge porque os dias são viagens de ninguém
a sonhar de olhos abertos
nas paragens, nos desertos
a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados a sonhar
de olhos abertos sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados outro dia lado a lado
aprende-se a calar a dor a ternura, o rubor
o que sobra de paixão
aprende-se a conter o gesto
a raiva,
o protesto
e há um dia em que a alma nos rebenta nas mãos"

Mafalda Veiga - Lado (a lado)
Porque é demasiado bonito: a música, a melodia, os versos e o que se sente quando se ouve

O cartaz em Sintra

Algures perdido numa rua de Sintra estava o seguinte cartaz (repetido duas vezes):

"ESPLANADE
Drinks, Foods and Port Wine"

Vivas às traduções livres de português-inglês eheheh

terça-feira, 15 de maio de 2007

Pequenas trivialidades quotidianas

Momento 1 - O parque de estacionamento

Ontem fui ali até à zona da Sé, em Lisboa, e como tenho a mania que os lugares estão sempre à porta à minha espera, lá fui eu. Mas não estava nenhum à minha espera. Comecei a subir em direcção ao castelo e lá me apareceu um recém estreado parque subterraneo da Emel, já quase na Graça. Bom, nada de estranho. Lá fui eu, tinha uma cancela daquelas com uns sensores fixes que se aproxima o carro e elas abrem sozinhas e eis que me deparei com o GRANDE problema: à frente da cancela havia dois portões fechados (?!?!?!?).
Aproximei-me e eis que vejo a seguinte inscriçao:"Carregue no botão vermelho se não há seres vivos dentro do veículo". uhmmmmmmmmmmmmmm Ora, os meus cabelos loiros falsos já não ajudam, mas isto confundiu-me. Será que eu conto como ser vivo? e se conto quer dizer que n posso estar dentro do carro? e se n posso estar dentro do carro como é que ele vai para a garagem? e se ele n vai para dentro da garagem com é que se estaciona?
Estava eu a tentar perceber isto tudo e a começar a inverter a marcha e bazar dali, daquele sitio esquisito, quando se aproxima o "senhor" lá do sitio que se revelou uma ajuda preciosa para a menina. Ora, eu explico: aquele parque é uma coisa muito à frente.
A manobra é a seguinte: tem de se aproximar o carro bem juntinho ao portão, ele abre automaticamente, conduz-se o carro até um elevador, sai-se do carro, recolhe-se os espelhos, tranca-se e sai-se portão fora. Aí sim, carrega-se no botão vermelho - porque já não há, de facto, nenhum ser vivo dentro do carro - depois carrega-se no botão verde para sair o bilhete do parque e o portão fecha. Eh pá, confesso que fiquei a pensar para onde iria o meu querido carrinho, se o voltaria a ver, se quando o chamasse ele me ouviria lá nas profundezas e se voltaria mesmo o meu ou outro carro.
Umas horas depois meio a medo aproximei-me de novo do parque e fui perceber como é que o chamava. Depois de pagar pus o bilhetinho numa máquina e não é que ele veio mesmo ter comigo?


Momento 2 - A ida ao supermercado

Devido a uma inexplicável ausência de porcarias pouco saudáveis na despensa cá de casa decidi ir até ao supermercado. Primeira paragem: bolachas. Segunda, e interessante, paragem: iogurtes. Já alguém terá reparado na quantidade de modelos que há? No tempo em que eu era criança havia de morango, banana, natural e pouco mais. Agora há coisas como iogurte de lichia, iogurte de pessego e chá branco, frutos tropicais e jindungo, morango chocobits e chili (?!?!?!?). Comecei a sentir a minha velhice em frente às prateleiras dos iogurtes =/

Momento 3 - Descobertas de Estado

Os meus "amigos" gatos ajudaram-me a definir o meu estado relativamente à religião cristã. Vivo em "ambiguidade teológica" eheheheh mais ou menos um "extremo centro"

quinta-feira, 10 de maio de 2007


Porque

Porque esses outros são uma maioria e não uma infima parte. Porque há mais desses outros do que daqueles tu's raros e preciosos.


"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Seven


São sete os pecados mortais. Destes, padeço de uns quantos. Mas como são doces estes pedaços de pecados... A lúxuria feita de exuberância e sensualidade. A vaidade feita de pequenas futilidades mundanas. A preguiça envolta num molengão dolce fare niente. A gula feita de provocações vindas de iguarias. A avareza vinda das pequenas maldades quotidianas. De parte deixo a vingança e a inveja que apenas destroem e magoam.

One more... =P

O mundo desportivo foi brindado com uma nova modalidade: o triALTO

sábado, 5 de maio de 2007

O presidente apareceu na TV à hora do jantar.Os minutinhos de fama do senhor presidente da capital



E o senhor que manda em Lisboa enganou o senhor baixinho que manda no PSD.
Depois de um belo discurso repleto de auto-coitadinhice, de acusações aos bichos feios gordos e maus dos jornalistas que o julgaram injustamente nos jornais, depois de uma lista de feitos maravilhosos conseguidos pelo próprio ao longo do mandato, depois de dizer que os meninos que jogam à bola com ele no partido não apoiaram o menino que joga na mesma equipa mas que está de branco e não de laranja, depois de uma narrativa cuidadosamente ensaiada no passado e que fazia prever que o final seria o esperado, depois da cara e pose de funeral dos senhores vereadores, depois de encarnar o papel do puto lá do bairro que leva porrada de todos porque é magricela e depois de saltar do bolo e dizer "Surpresa!"... depois de tudo isso chegou o momento da apoteose "ahaha queria que eu fosse embora mas eu não vou. Toma, toma, toma". Acredito mesmo que até tenha havido, no imaginário do senhor, um deitar a lingua de fora e tudo.

Bem, a verdade é que surpreendeu mesmo. Dei por mim de boca aberta. Não cheguei ao ponto de estar a babar e essas coisas, mas confesso que achei uma certa graça a este momento politico-embaraçoso-heroico-do-contra. O senhor baixinho ficou com o melão, os senhores que se estavam a fazer ao cargo ficaram confundidos e ele teve uns minutitos de fama na abertura de todos os telejornais. Serviu para alguma coisa? Bem, pelo menos para o ego se calhar sim.
Acusam-no de estar "agarrado ao poder", de ser trafulha, de ter adormecido na cadeira da presidência e de não estar a dar a liberdade aos lisboetas para votar e muitos blá, blá blá

Bem, resta esperar para ver os proximos episódios da novela. por agora, ficam umas piaditas que circulam por aí


Alternativas à senilidade


Eis a melhor solução para a salvação do estado mental de qualquer ser humano:
Em vez de dar cabeçadas em postes azuis será certamente melhor rebolar a rir no chão;
Em vez de dar importância aos disparates será melhor usar os disparates para criar piadolas;
Em vez de tentar explicar seja o que for será melhor partir do princípio de que qualquer que seja a explicação (mesmo que seja em forma de desenho) não será entendida e que isso pode ter graça.
Em vez de sentir aquela irritação incontornável será muitissimo certamente melhor ter todos os dias uma nova pérola para partilhar com quem importa
Em vez de tudo fazer muitas caretas feias ehehe
E por falar em caras feias e em partilhar. Eis que aqui vai:
Sabem qual é a melhor maneira de uma pessoa que não sabe italiano conseguir ler e entender um texto em italiano? É ler em voz alta. Segundo algumas pessoas faz milagres. Entende-se logo tudo num ápice. para quê cursos de línguas, que coisa tão tonta. E agora experimente-se lá com os caracteres chineses... ah pois é!! é um instantinho
A maior causa de irritação na minha vida está a tornar-se um verdadeiro tesouro para a minha secção dos "tesourinhos deprimentes"

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Frescas e más. Muito más.

BOLETIM DA CASERNA

Hoje, dia igual a tantos outros, Alcatraz recebeu novas vindas dos céus. Em declarações exclusivas para o maravilhoso mundo ranhoso, disse-se: "Acabaram-se os desperdícios. Jamais faremos parte daqueles que desaproveitam os bens. Lutaremos pelo bem do planeta e pela salvação do meio ambiente. Por isso, acabaram-se as reproduções em papel daquilo que aparece no ecrã (vulgo: impressões). Desliguem-se as máquinas". E assim foi. Desligaram. Os operários da fábrica de chouriço obedeceram. (..... por breves minutos!).*

* Ou seja:
- oh tu aí..... para que é que serve aquela coisa ali ao lado da minha televisão.
- Qual televisão senhor?
- Aquela ali!!!
- Ahhh.. o computador.... Está a falar da impressora, senhor?
- Da quê? ahhh está a falar daquela coisa que de vez em quando cospe folhas de papel?
- .....Pois senhor, se calhar... não sei......
- Bah aquilo não serve para nada!!!!! leve-a daqui.
- Mas senhor, todos os computadores têm uma, às vezes faz falta.
- O quê??????????? TODOS???????? Não quero mais cuspidoras de folhas dentro do meu lado da batalha naval. Tudo fora. Tudo.
- Entao, mas...
- Mas nada! Quero um exterminio total dessas mal-educadas das cuspideiras agora já imediatamente
- Se não fosse eu a zelar pelo bem dos meus meninos e meninas quem é que havia de o fazer?!?!?!?


Bem.... ou não!!
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência



Mais frescas
Dicionário da caserna.
Acto 1
Tradução (livre) de italiano para português
Cena 1
Perché conservare igual a (obviamente!!): Peixe de conserva!

PS - (daqueles em letras muito pequeninas lidos muito rápido) - Para mais informação consultar a biografia (a autorizada!! aquela em que se revela toda a verdade) de Américo Vespúcio ou contactá-lo ( a ele mesmo!!!) para o seu número (de telemóvel) disponível em qualquer ponto de internet. Poderá também falar com o velhinho Varatojo para esclarecimentos adicionais ou visitar a colecção BerNardo. Informação não sujeita a receita médica (de peixe em conserva!!)

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Pedra, planta e eu

"Dizes-me: tu és mais alguma coisa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.

Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu"
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?"

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos 1913-1915

terça-feira, 1 de maio de 2007

Betty Boop


Por ora, apenas esta. Mais tarde, outras virão ;)

Amanhecer

A cada amanhecer muito de novo nasce. Um novo dia, novas sensações, novas emoções, novos acontecimentos, novas pessoas, novos instantes, novos agora's e novos sentimentos. O momento em que os primeiros raios de sol nascem é aquele em que o ontem se torna passado e é levado para o baú das memórias. Nesse baú estão os muitos ontem(s) que foram suficientemente importantes para não serem esquecidos. De quando em quando, o baú é aberto para atirar fora o que já não tem importância e para recordar momentos idos. Tira-se-lhes o pó, contempla-se a sua imagem, recua-se uns tempos, recorda-se com um sorriso ou uma lágrima e volta a fechar-se até um outro dia em que a mente nos traia ou o coração chame por eles.
Sem que se tenha feito anunciar, cada um dos amanheceres poderá ser (apenas) o dia mais importante de uma vida inteira. Está a amanhecer. Aproxima-se um novo dia. Quiça se apenas mais um ou o melhor de todos eles.
*Cape Cod Morning, Hopper