Interrompe-se este - forçado - silêncio para desejar um bom Natal. Parece que este ano se começam as celebrações em Outubro?!?! As luzes já começam a aparecer na cidade, só falta carregar o botão, as lojas já têm iluminações acesas, já se vendem árvores e bolas de natal e as sugestões - "de última hora" ?!?!? - já andam por aí.
Desespero da crise ou vontade de falar de outra coisa que não o Orçamento de Estado, o Natal chegou com dois meses de antecedência. Feliz Natal
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
E a ovelha?

De há uns dias para cá que ando intrigada. Com esta história do Jaime. O Jaime Ovelha. Ora o homem apareceu no chão já a dar para o morto, vestido com uma lingerie tão feminina como as sandálias que trazia calçadas. Em Proença-a-velha todos os conheciam e o achavam esquisito. Enfim, ocorrem-me várias dúvidas nesta história e nenhuma tem a ver com o assassíno.
Premissa: o homem roubava galinhas para as violar, já tinha sido apanhado a violar uma cabra e desta última vez foi o desgraçado do burro (que toda a gente fotografa sem dó pelo seu sofrimento) e já tinha sido preso por também ter violado uma senhora idosa. Na zona dizem os jornais: "Era conhecido por violar animais" (??????)
Eis as minhas dúvidas:
- Como é que se viola uma galinha?
- Como é que alguém investiga um crime onde as vítimas se limitam a pronunciar-se debaixo de uns tímidos i-on's e có-có-ró-co-co's?
- Porque raio ele era conhecido como "O Jaime Ovelha"?
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
For u!
Olho-te e vejo-me. Vejo o que sou, vejo o que sinto, vejo o que quero. Pego no fio dos pensamentos e vou seguindo de nó em nó em jeito de salvação da alma. Revejo-os um a um como se tivessem sido agora, neste mesmo instante, ganho o fôlego que só estas coisas conseguem dar. Cada olhar, cada partilha, cada riso, cada carinho, cada toque, cada gesto. Num turbilhão vêm umas atrás das outras. Deixo-me levar por uma sensação que causa arrepios pela espinha acima. A alma despe-se, fica a nú e cada gesto é a mais plena revelação de um sentimento profundo, incomparável com qualquer outro. É isso, é uma coisa grande. Tão grande que não se mede, não se pesa, não se parte. É bom. É cada vez maior. É cada vez maior, mais doce. É uma cumplicidade sem fim.
B.
B.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Combates urbanos
Alcântara. 3 da tarde. Dois arrumadores.
Um arrumador pintas de calçanito da moda e camisola de manga cava está a bater couro a umas miúdas do norte que perguntaram o caminho para a torre de Belém. Desconfio que o personagem, de cabelo com uma ligeira crista e aquele rabicho no pescoço, estava com uma grande grande pedrada. A falar alto e com uns gestos exagerados - já com elas a quererem afastar-se e certamente arrependidas de ter perguntado qualquer coisa - continuou a dar-lhes dicas: de autocarro, de comboio e até de barco (?).
As miúdas afastam-se e ele faz um comentário másculo para um segurança que está à porta de um supermercado que está mesmo ali sobre as miúdas. No meio disto vaga um lugar ali mesmo em frente e um homem de aspecto de pessoa lá de fora faz as vezes de arrumador assim que há um candidato ao lugar.
Ora, o tuga do calçanito vai lá. "Mas ouve lá, tu põe-te a andar que este sitio é meu". Silêncio do outro lado. "Tu és de onde?" .Silêncio. "Da Lituânia?" . O outro larga um país indecifrável. "Então volta para a tua terra. Este sítio é meu e se te volto a ver aqui parto-te todo". O outro senta-se num banco de pedra. "Sai daqui! já disse! ou queres ver eu partir-te todo. Uma esquerda, uma direita e ficas todo partido!Vai, rápido". Quero ficar aqui no banco sentado. "Só não te parto todo já porque aquele senhor ali [o segurança] me disse para ter calma" - mentira descarada, claro! que o outro nem abriu a boca. "Vá, põe-te a andar lá para a tua terra que este sitio tem dono"
e vim embora.
Um arrumador pintas de calçanito da moda e camisola de manga cava está a bater couro a umas miúdas do norte que perguntaram o caminho para a torre de Belém. Desconfio que o personagem, de cabelo com uma ligeira crista e aquele rabicho no pescoço, estava com uma grande grande pedrada. A falar alto e com uns gestos exagerados - já com elas a quererem afastar-se e certamente arrependidas de ter perguntado qualquer coisa - continuou a dar-lhes dicas: de autocarro, de comboio e até de barco (?).
As miúdas afastam-se e ele faz um comentário másculo para um segurança que está à porta de um supermercado que está mesmo ali sobre as miúdas. No meio disto vaga um lugar ali mesmo em frente e um homem de aspecto de pessoa lá de fora faz as vezes de arrumador assim que há um candidato ao lugar.
Ora, o tuga do calçanito vai lá. "Mas ouve lá, tu põe-te a andar que este sitio é meu". Silêncio do outro lado. "Tu és de onde?" .Silêncio. "Da Lituânia?" . O outro larga um país indecifrável. "Então volta para a tua terra. Este sítio é meu e se te volto a ver aqui parto-te todo". O outro senta-se num banco de pedra. "Sai daqui! já disse! ou queres ver eu partir-te todo. Uma esquerda, uma direita e ficas todo partido!Vai, rápido". Quero ficar aqui no banco sentado. "Só não te parto todo já porque aquele senhor ali [o segurança] me disse para ter calma" - mentira descarada, claro! que o outro nem abriu a boca. "Vá, põe-te a andar lá para a tua terra que este sitio tem dono"
e vim embora.
terça-feira, 27 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Há momentos assim
Há momentos que jamais se esquecem.
Há momentos que são tão perfeitos que não chegam as palavras.
Há momentos que provam que o mais importante na vida acontece assim, sem se esperar.
Há momentos que são tão perfeitos que não chegam as palavras.
Há momentos que provam que o mais importante na vida acontece assim, sem se esperar.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Coisas simples
Por baixo
*Gostava de morar num sítio com estrelas. Um daqueles lugares onde dá para ficar deitado no chão simplesmente a contemplá-las, a apreciar a verdadeira beleza que há naqueles pontinhos luminosos espalhados por aquela imensidão de céu, longe das luzes, longe do barulhos, das gentes. Naqueles lugares onde se sente que o mundo é só nosso. Gostava mesmo de poder chegar a casa num final de dia e ficar ali por baixo das estrelas...
*Not mine
terça-feira, 6 de julho de 2010
Inesquecível
No meio de um imenso festival de Verão, daqueles hiperpovoados por metro quadrado onde é impossível sair de lá sem uma cotovelada ou pisadela ou banho de uma bebida de tons suspeitos, um momento inesquecivelmente bonito. Um homem, sozinho em cima do palco, debaixo de uma meia luz de frente para milhares de pessoas que fizeram um silêncio arrepiado sob um momento de hipnotismo. Foi demasiado bonito, único.
See for youself
http://www.youtube.com/watch?v=xrpvox63CP8
Snow Patrol - Run
"I'll sing it one last time for you
Then we really have to go
You've been the only thing that's right
In all I've done
And I can barely look at you
But every single time I do
I know we'll make it anywhere
Away from here
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads
Have heart my dear
We're bound to be afraid
Even if it's just for a few days
Making up for all this mess
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear"
See for youself
http://www.youtube.com/watch?v=xrpvox63CP8
Snow Patrol - Run
"I'll sing it one last time for you
Then we really have to go
You've been the only thing that's right
In all I've done
And I can barely look at you
But every single time I do
I know we'll make it anywhere
Away from here
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads
Have heart my dear
We're bound to be afraid
Even if it's just for a few days
Making up for all this mess
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear"
Um dia
um dia, sem que ninguém esteja à espera, acontece. Acontece porque há muito que está para acontecer. Sempre faltou aquele empurrão. Já não falta. Agora é acreditar. Acreditar que os impossíveis são apenas obstáculos que se ultrapassam. E que no final, olhando para o caminho lá de cima de onde se vêem as curvas sinuosas, eram apenas teimoziazinhas sem razão de ser. Daqui a uns meses, um ano, talvez menos, talvez mais. Acontece. Sei que sim. E acontece porque é assim que tem de ser. São designios que não se sabe de onde vêm, mas é cá bem do fundo. Prometo.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Interioridades
É aqui, aqui onde o som da mota se junta com o tilintar das ovelhas debaixo do ladrar do cão. É aqui onde as simplicidades da vida e a dureza do trabalho tornam as pessoas diferentes - não melhores, não piores. É aqui que o olhar se alonga pelos montes, pelas coisas mais básicas que o ser humano necessita, pela interioridade mais profunda. E depois vêm à mente aquilo que realmente importa, as coisas na vida que devem ter prioridade. O cenário é apenas uma desculpa. O resto uma realidade que acontece apenas algumas vezes mais raras quando a existência conturbada deixa que isso aconteça.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Gosto
Gosto do cheiro a bolo quente de manhã
Gosto de um jantar á luz de um final de tarde
Gosto de acordar com o sol a inundar o quarto
Gosto da toalha quente depois do banho
Gosto do cheiro da relva acabada de cortar
Gosto da meia luz
Gosto de jantaradas de amigos
Gosto de conversas longas
Gosto de confidências e de segredos
Gosto de um chocolate quente a sério
Gosto de almofadas
Gosto de vaguear durante horas
Gosto de trapos
Gosto de silêncios confortáveis
Gosto de pequenos-almoços
Gosto de descobrir
Gosto de um belo copo de vinho
Gosto de filmes
Gosto de manhãs preguiçosas
Gosto de sair só com a máquina
Gosto de candeeiros
Gosto de ruelas estreitas e recantos
Gosto de lugares ermos
Gosto de pensar enquanto conduzo
Gosto do alentejo profundo
Gosto de lugares secretos
Gosto de verdades
Gosto de estar rodeada das pessoas que amo
Gosto da felicidade do meu Cookie a cada vez que chego
Gosto de escapadelas
Gosto de sentir o sol bater-me na cara
Gosto de gelados
Gosto de pessoas sinceras
Gosto de ficar apenas a olhar
Gosto de um lugar ali na Graça
Gosto de experimentar repastos
Gosto de fazer surpresas
Gosto da lua em tons de amarelo e leranja
Gosto de dar gargalhadas até doer a barriga
Gosto de cadernos
Gosto de albuns de fotografia
Gosto de festas populares
Gosto do som do piano do Einaudi
Gosto de sentidos de humor apurados
Gosto de inesperados
Gosto de recordações, de momentos
Gosto de abraços apertados
Gosto de personalidades fortes
Gosto de coisas toscas
Gosto de revistas
Gosto de bolo de chocolate
Gosto de hábitos e tradições de lugares
Gosto de rios que correm tranquilos
Gosto de subir ao cimo das serras
Gosto de aldeias perdidas
Gosto de sumos de fruta a sério
Gosto de comida de plástico
Gosto de cremes
Gosto de jardins
Gosto de praias desertas
Gosto de pessoas.
Gosto de um jantar á luz de um final de tarde
Gosto de acordar com o sol a inundar o quarto
Gosto da toalha quente depois do banho
Gosto do cheiro da relva acabada de cortar
Gosto da meia luz
Gosto de jantaradas de amigos
Gosto de conversas longas
Gosto de confidências e de segredos
Gosto de um chocolate quente a sério
Gosto de almofadas
Gosto de vaguear durante horas
Gosto de trapos
Gosto de silêncios confortáveis
Gosto de pequenos-almoços
Gosto de descobrir
Gosto de um belo copo de vinho
Gosto de filmes
Gosto de manhãs preguiçosas
Gosto de sair só com a máquina
Gosto de candeeiros
Gosto de ruelas estreitas e recantos
Gosto de lugares ermos
Gosto de pensar enquanto conduzo
Gosto do alentejo profundo
Gosto de lugares secretos
Gosto de verdades
Gosto de estar rodeada das pessoas que amo
Gosto da felicidade do meu Cookie a cada vez que chego
Gosto de escapadelas
Gosto de sentir o sol bater-me na cara
Gosto de gelados
Gosto de pessoas sinceras
Gosto de ficar apenas a olhar
Gosto de um lugar ali na Graça
Gosto de experimentar repastos
Gosto de fazer surpresas
Gosto da lua em tons de amarelo e leranja
Gosto de dar gargalhadas até doer a barriga
Gosto de cadernos
Gosto de albuns de fotografia
Gosto de festas populares
Gosto do som do piano do Einaudi
Gosto de sentidos de humor apurados
Gosto de inesperados
Gosto de recordações, de momentos
Gosto de abraços apertados
Gosto de personalidades fortes
Gosto de coisas toscas
Gosto de revistas
Gosto de bolo de chocolate
Gosto de hábitos e tradições de lugares
Gosto de rios que correm tranquilos
Gosto de subir ao cimo das serras
Gosto de aldeias perdidas
Gosto de sumos de fruta a sério
Gosto de comida de plástico
Gosto de cremes
Gosto de jardins
Gosto de praias desertas
Gosto de pessoas.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
De ouvido
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O golpe de Sol
Alentejo. Nove e pouco da manhã. Domingo.
Num café, numa terra perdida a caminho de Beja, uma cena que podia já não acontecer.
Um homem, o dono do café, está a abrir o café. Nós entramos e o senhor serve-nos os cafés. Pede-nos uns momentos. Tem de ir fazer o Golpe de Sol. Perante a ignorância, nossa, ficamos calados. Ele vai sentar-se numa outra mesa. Coloca uma toalha nos ombros, senta-se compenetrado. Entra uma senhora, já velha. Vem com um copo de água na mão. Colocã-lhe o copo na mão e começa com ladaínhas. Disfarçamos o riso. Fica abafado. Aquilo dura um pedaço. Quem está de frente tem vista privilegiada para esta cena surreal, num café perdido no Alentejo profundo. Quem está de lado apenas tem um vislumbre. Aquilo acaba.
Ele regressa ao balcão. E fala, fala do Golpe de Sol. E ela também. Há nove dias que lho faz. Ele garante que as dores de cabeça de andar ao sol cessaram nesse dia. Ela confirma que resulta. É por isso que a água ferve no copo. Quem estava de frente garante que viu as bolhas iguais às da água que ferve. Ali no meio do alentejo, num início de manhã, uma curandice para mostrar que ali, os tempos ainda são os dos saberes da terra, dos milagres das velhas sabedorias.
Num café, numa terra perdida a caminho de Beja, uma cena que podia já não acontecer.
Um homem, o dono do café, está a abrir o café. Nós entramos e o senhor serve-nos os cafés. Pede-nos uns momentos. Tem de ir fazer o Golpe de Sol. Perante a ignorância, nossa, ficamos calados. Ele vai sentar-se numa outra mesa. Coloca uma toalha nos ombros, senta-se compenetrado. Entra uma senhora, já velha. Vem com um copo de água na mão. Colocã-lhe o copo na mão e começa com ladaínhas. Disfarçamos o riso. Fica abafado. Aquilo dura um pedaço. Quem está de frente tem vista privilegiada para esta cena surreal, num café perdido no Alentejo profundo. Quem está de lado apenas tem um vislumbre. Aquilo acaba.
Ele regressa ao balcão. E fala, fala do Golpe de Sol. E ela também. Há nove dias que lho faz. Ele garante que as dores de cabeça de andar ao sol cessaram nesse dia. Ela confirma que resulta. É por isso que a água ferve no copo. Quem estava de frente garante que viu as bolhas iguais às da água que ferve. Ali no meio do alentejo, num início de manhã, uma curandice para mostrar que ali, os tempos ainda são os dos saberes da terra, dos milagres das velhas sabedorias.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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