segunda-feira, 23 de junho de 2008

Uma ilha, um jardim, um paraíso



Chegar ao Funchal, atacar um prego no bolo do caco e uma poncha. Subir, subir, subir, subir, subir subir e subir mais um bocadinho só para chegar lá a cima, a um lugar onde se vê o Funchal de cima. Fim de tarde, luz de final de dia, jantar à luz da últimos raios de sol. As lapas, o espada com banana, o vinho branco e tudo o que se tem direito e um bom pedaço a mais do que o mínimo desejável.



Dormir, acordar, partir à descoberta da Madeira. Correr a costa, almoçar em Porto Moniz, ver a vista, parar lá em cima e beber um café na Ponta do Pargo, molhar os pés em Paúl do Mar. Subir à serra ver vales verdejantes e serras com vista para o mar. Descer a serra, e descobrir recantos povoados ao longo da encosta sul: Ponta do Sol, Madalena do Mar. Calheta. Parar em Câmara de Lobos, no Estreito, para provar as espetadas com o milho frito.



O outro lado. Para no Machico para ver as vistas, ir até à pontinha olhar para as desertas e ir até Santana para entrar nas casinhas de colmo. Fazer turismo. Seguir pelas estradas correr miradouros. Pensar em voltar para trás, ser contrariada e perceber que vale a pena deixarmo-nos levar pela teimosia alheia ao chegar ao mais bonito dos lugares. Aquele em que só se pensa em ficara para sempre. Ali construía a minha barraquinha, ali chegava-me o êxtase e o arrebatamento que a vista causa nos restantes sentidos.



Seguir caminho descer, descer, descer, descer e descer mais um pouco até ao Curral das Freiras. Subir, subir, subir, subir, subir até ao Pico do Areeiro. Ver as nuvens de cima, ver o mundo aos pés e sentir um arrepio bom a subir na espinha. Descer, apenas um pouco, parar no Poiso. Ver a bola, ver as aspirações portuguesas a ficar pelo caminho entre um e outro gole de poncha. Compensar a tristeza, com um repasto de outro mundo. Começar a descer para o Funchal, olhar para o lado e ver a lua. Cheia. A iluminar o mar de nuvens que separa o céu cá de cima, da terra lá de baixo delas. Inebriante.



Andar. Andar de tudo. Andar de autocarro. Ir a correr para chegar a horas do catamarã da manhã. Ver os golfinhos a pular à frente do barco. Não ver as baleias. Apanhar sol. Contemplar a ilha vista do mar. Voltar a terra. Apanhar o teleférico para o Monte. Parar para a espetada em pau de louro. Perder o rumo pelo jardim tropical. Ver as pontes, as árvores, as flores exóticas, as fontes, os peixes, as cascatas. Guardar cada pedaço dentro de um cartão de memória, para ver e rever mais tarde. Descer nos cestos. Descer o resto a pé para fugir da caça ao turista. Dar a última visa de olhos à cidade e partir.



Vinte anos depois, o regresso. Valeu pelo despertar dos sentidos, valeu pela partilha de todas estas imagens, valeu de verdade.

2 comentários:

SaintWolf disse...

Confesso. Invejo-te. :D
E mais não digo.

Maria Nunes disse...

Saudades do berço... A inveja é uma coisa feia, mas invejo-te a dobrar!